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Após 40 anos, Ciro Fernandes volta a Curitiba com mostra inédita

Xilogravurista paraibano de 84 anos abre exposição com 100 obras e performance ao vivo no Memorial de Curitiba, dentro da 16ª Bienal

João Marcelo
JOÃO MARCELO

10/06/2026 • 15:32 • Atualizado em 10/06/2026 • 16:27

Resumo

Retorno do artista Ciro Fernandes a Curitiba marca a abertura da exposição “Ciro Fernandes: o menino, o olho e o pássaro” no Memorial de Curitiba, em 14 de junho, integrando a 16ª Bienal de Curitiba, com cerca de 100 trabalhos, demonstração de xilogravura ao vivo e doação de obra ao Museu da Gravura Cidade de Curitiba.

Curadoria de Iriana Vezzani destaca a relevância histórica de Ciro para a xilogravura brasileira e propõe aproximação do público com o processo criativo do artista, ressaltando temas como memória, pertencimento, imaginação e liberdade criativa presentes nas obras expostas.

Homenagem realizada pela Singular Cultural valoriza trajetória de Ciro Fernandes, artista de 84 anos do sertão paraibano, cuja produção abrange pintura, instalação e gravura, e que ganhou notoriedade recente nas redes sociais, fortalecendo o diálogo com novas gerações.

Após quatro décadas longe dos espaços expositivos da capital paranaense, o gravador e ilustrador paraibano Ciro Fernandes retorna a Curitiba para abrir, em 14 de junho, às 10h, a mostra “Ciro Fernandes: o menino, o olho e o pássaro”, no Memorial de Curitiba, com presença do artista e demonstração de xilogravura ao vivo.

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A exposição integra o circuito da 16ª Bienal de Curitiba, tem curadoria de Iriana Vezzani e conta com apoio do Mecenato da Fundação Cultural de Curitiba.

O público poderá ver cerca de 100 trabalhos impressos, além das matrizes de xilogravura talhadas em diferentes materiais, que ajudam a revelar o processo de criação do artista. Durante a abertura, Ciro deve talhar uma nova matriz diante dos visitantes, e uma obra será doada ao Museu da Gravura Cidade de Curitiba, referência nacional na área.

Temas e curadoria

Segundo Ciro, o conjunto de obras selecionadas toca em questões que atravessam sua vida há muitos anos, ligadas ao imaginário, à observação do mundo e à liberdade criativa.

“Os trabalhos tratam de questões que atravessam minha vida há muitos anos, ligadas ao imaginário, à observação do mundo e à liberdade criativa”, afirma o artista.

Ele diz que está animado para compartilhar os trabalhos com um público diverso e acompanhar as diferentes leituras que cada visitante fará da exposição.

Para a curadora Iriana Vezzani, o recorte parte da trajetória de Ciro como uma prática contínua de construção de memória e pertencimento, destacando sua relevância histórica para a xilogravura brasileira.

“Buscamos reunir obras que evidenciam não apenas sua importância histórica para a xilogravura brasileira, mas também a permanência do olho que atravessa toda a sua produção”, explica.

Na visão de Iriana, a exibição das matrizes aproxima o visitante do gesto físico da gravura e do tempo investido em cada trabalho.

“A matriz é vestígio da relação física e da experiência de tempo entre o corpo do artista e a matéria. Sua obra não se posiciona como oposição à tecnologia, mas como deslocamento crítico dentro desse próprio campo”, analisa.

Homenagem em vida

A mostra é realizada pela Singular Cultural, produtora voltada às artes visuais e à preservação do patrimônio cultural, que também desenvolve ações educativas.

Um dos focos dos sócios Amanda Prado e Vitor Prado é organizar exposições que homenageiem artistas em vida. A produtora já assinou retrospectivas de nomes como Rogério Dias, no Museu de Arte Contemporânea do Paraná, e Rimon Guimarães, no Museu Municipal de Arte de Curitiba.

De acordo com Vitor, a ideia de convidar Ciro surgiu após acompanhar, durante a pandemia, a rotina do gravurista pelas redes sociais e conhecer de perto o acervo reunido no ateliê.

“Depois de algum tempo, agendamos uma visita no ateliê e vimos o vasto material que o Ciro possui. Achamos que era hora de uma grande exposição como forma de homenagear um artista que faz parte da história do país”, relata.

Reconhecimento e trajetória

Para Ciro, receber essa homenagem enquanto segue em plena atividade reforça o sentido de uma produção construída ao longo de décadas.

“A produção artística é feita de persistência, pesquisa e dedicação contínua, muitas vezes longe dos holofotes. Poder receber esse reconhecimento em vida é especialmente valioso, porque permite dialogar com novas gerações e acompanhar de perto a forma como o trabalho continua encontrando ressonância no público”, destaca.

Nascido em Uiraúna, no alto sertão paraibano, o artista plástico tem 84 anos e vive no Rio de Janeiro. Vindo de uma família de artistas, ele aprendeu desde cedo música, pintura e gravura.

Sua obra transita entre pinturas, instalações e xilogravuras, articulando referências da arte popular e da cena contemporânea e criando uma linguagem poética marcada por camadas e texturas que evocam lembranças pessoais e narrativas coletivas.

Após o período de isolamento causado pela pandemia, Ciro ganhou forte presença nas redes sociais e hoje soma mais de 200 mil seguidores no Instagram, onde publica vídeos de seu processo de trabalho, alguns deles com mais de 10 milhões de visualizações.

Serviço

Exposição: “Ciro Fernandes: o menino, o olho e o pássaro”

Abertura: 14 de junho, às 10h (presença do artista e talha de matriz ao vivo)

Local: Memorial de Curitiba – R. Dr. Claudino dos Santos, 79, São Francisco, Curitiba (PR)

Visitação: até 15 de novembro – terça a sexta, das 9h às 18h; sábados e domingos, das 9h às 15h

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