
Aluno é esfaqueado por colega em escola de Pinhais
Foto: Band Paraná
A Polícia Civil de Pinhais descartou que o ataque a uma adolescente de 16 anos dentro do Colégio Estadual Professor Daniel Filho, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, na noite de quinta-feira (19), tenha relação com bullying, segundo afirmou o delegado Gustavo Pinho em entrevista à Band Paraná.
Versão da vítima e do autor
De acordo com o delegado, os investigadores já ouviram a vítima no hospital. Mesmo internada, ela conseguiu relatar que mantinha amizade com o colega apontado como autor e que não havia histórico de conflitos entre os dois.
"Nós ouvimos a vítima. Apesar de ela estar internada, conseguimos fazer a oitiva, e ela relatou que era amiga do autor, não teve nenhum desentendimento com ele, nem recente nem anterior", disse Pinho.
Ainda segundo o delegado, a jovem percebeu uma mudança de comportamento do colega no dia do crime, quando ele teria se mostrado mais isolado em sala de aula e manuseado um estilete antes do ataque.
"Na data de ontem, ela percebeu que ele estava mais calado, no canto. No início da primeira aula, ela visualizou ele com o estilete, inclusive esquentando a lâmina com um isqueiro. Na quarta aula, enquanto jogava baralho com amigos e ele observava ao lado, sem motivação aparente e sem dizer nada, ele sacou o estilete e desferiu o golpe contra o pescoço dela", relatou o delegado.
Motivação e negativa de bullying
Pinho afirma que tanto a vítima quanto o adolescente apreendido negaram qualquer prática de bullying entre eles. Em novo depoimento, o suspeito apontou outra possível motivação para o ataque.
"Ela relatou que não houve nenhum problema anterior com ele, não há nada relacionado à prática de bullying entre eles. O próprio adolescente também afirmou que não havia desentendimento, mas, por suspeitar que ela pudesse ter influenciado na separação com a ex-namorada, decidiu cometer o ataque", explicou o delegado.
O delegado acrescenta que o adolescente disse não se lembrar com detalhes de como agiu e que teria “apagado” durante a agressão. A mãe do jovem também prestou depoimento.
"Ele alegou que não se recorda com exatidão do que aconteceu, que perdeu a memória sobre a situação e só retomou a consciência quando estava indo para casa. A mãe relatou que, quando ele chegou, aparentava normalidade e não demonstrou comportamento que indicasse a prática de crime", afirmou Pinho.
Polícia analisa celular e ouve testemunhas
O inquérito segue em andamento. Pinho afirma que a Polícia Civil ainda apura se houve algum tipo de incentivo de terceiros, embora, até o momento, não haja indícios de participação de outras pessoas.
"As diligências continuam para verificar a participação ou não de terceiros. A princípio, não há indícios, mas vamos analisar as mensagens do celular e ouvir pessoas próximas para identificar qualquer informação nova", detalhou.
Um ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o relato da vítima de que o colega já havia feito, em outras ocasiões, ameaças em tom de brincadeira.
"A vítima relatou que, em outras ocasiões, o autor teria mencionado que pretendia se matar, mas antes disso mataria outras pessoas. Os amigos chegaram a repreendê-lo, mas, infelizmente, ele acabou praticando o ato", completou.
Relembre o caso
Um adolescente de 16 anos ficou gravemente ferido ao ser atingido com um golpe no pescoço dentro do Colégio Estadual Professor Daniel Filho, no bairro Jardim Atuba I, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, na noite de quinta-feira (19).
O autor do ataque, também com 16 anos e colega de turma da vítima, fugiu logo após a agressão. A Polícia Militar localizou o jovem em casa e o levou para a Delegacia de Pinhais, onde ele prestou depoimento.
A vítima recebeu atendimento ainda dentro da escola e, em seguida, equipes de socorro a encaminharam a um hospital da região. O estado de saúde é considerado grave. As autoridades não divulgaram a identidade dos envolvidos por serem menores de idade, e o procedimento corre sob sigilo, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Logo após o crime, informações preliminares apontavam que a agressão poderia ter relação com episódios de bullying com possível teor homofóbico. Com os novos depoimentos, a Polícia Civil trabalha, neste momento, com a versão de que o ataque foi motivado por questões pessoais ligadas ao fim de um relacionamento.
Rede estadual acompanha o caso
Em nota, o Núcleo Regional de Educação da Área Metropolitana Norte informou que acionou imediatamente os serviços de emergência e as autoridades competentes após o caso entre dois estudantes de um colégio da rede estadual em Pinhais.
O órgão afirmou que acompanha a situação, repudiou qualquer forma de violência e disse que vai intensificar o acolhimento da comunidade escolar, inclusive com apoio de psicóloga da rede. A nota informa ainda que, por ser feriado na cidade, não houve aula em Pinhais.
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