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Cão de busca pode fazer trabalho de 18 bombeiros; entenda treino

Filhotes Scot e Nura são preparados em Curitiba para atuar em buscas e salvamentos do Corpo de Bombeiros do Paraná

Bárbara Hammes
BÁRBARA HAMMES

28/05/2026 • 15:24 • Atualizado em 28/05/2026 • 18:23

Dois filhotes de 10 meses estão sendo treinados em Curitiba para uma missão que pode salvar vidas. Scot e Nura, irmãos, fazem parte da preparação do Corpo de Bombeiros do Paraná para reforçar o trabalho de cães de busca em ocorrências de salvamento.

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A dupla foi comprada para as forças de segurança do Estado por meio de licitação e chegou ainda filhote, com apenas 80 dias de vida. Desde então, os cães passam por uma rotina diária de treinamentos para aprender a localizar vítimas em diferentes cenários.

Como começa o treinamento dos cães de busca

Antes de aprender a procurar pessoas, os filhotes passam por uma fase de adaptação. O objetivo é fazer com que eles se acostumem com ambientes diferentes, pessoas, animais e terrenos variados.

“A gente começou um trabalho de ambientação, socialização, dessensibilização para eles não terem medo do terreno, não terem medo de pessoas, de animais. Esse é o fundamento do treino, e a partir dali a gente faz o trabalho de busca efetivamente”, disse o Cabo Vidotti, condutor da Nura.

Os treinamentos ocorrem principalmente em espaços externos e áreas de mata na Região Metropolitana de Curitiba. Aos poucos, o grau de dificuldade aumenta.

Busca por faro no ar

Scot e Nura são treinados na modalidade de venteio. Nessa técnica, os cães usam o faro para captar partículas de odor em suspensão no ar e localizar pessoas perdidas.

No início, o exercício é simples e lúdico. O condutor se esconde em locais fáceis para que o animal entenda a dinâmica da busca e associe o encontro à recompensa.

“Então eu começo a me esconder, no começo algo muito simples, muito fácil, muito didático. Tem que ser algo bem lúdico para ela realmente aprender. E conforme vai passando o tempo, ela vai evoluindo, a gente vai dificultando. E daí, a partir do momento que a gente percebe que podemos avançar o nível, quem se esconde é meu companheiro de treinamento. Assim a gente vai colocando mais pessoas e ela entende que não é uma pessoa, é qualquer pessoa que ela vai ter aquela recompensa no final”, afirmou o Cabo Vidotti.

Nura entra em nova fase

A Nura está começando uma nova etapa do treinamento. Agora, o desafio é encontrar pessoas que não fazem parte do convívio dela.

Durante a reportagem, a equipe acompanhou uma simulação em área de mata. A proposta era que a pessoa se escondesse com o brinquedo usado como recompensa e, após o comando, a filhote seguisse o faro até localizar o alvo.

A recompensa é parte fundamental do processo. Pode ser um brinquedo ou petisco, dependendo do cão. No caso de Nura e Scot, o estímulo tem ajudado no avanço dos treinos.

Certificação só em 2027

Os treinamentos dos dois filhotes seguem nos próximos meses. Para atuar oficialmente, eles precisam passar por certificação, o que só poderá acontecer a partir de janeiro de 2027, quando completarem um ano e meio.

Depois disso, Scot e Nura devem reforçar o Grupo de Operações de Socorro Tático dos Bombeiros do Paraná, divisão especializada em buscas e resgates.

A unidade já atuou em grandes ocorrências nacionais, como o rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, e as enchentes no Rio Grande do Sul.

Um cão pode equivaler a 18 militares

Atualmente, Curitiba conta com oito cães de busca. Cada um trabalha ao lado de um tutor, militar que passa por cursos de especialização e aperfeiçoamento em cinotecnia.

Juntos, cão e condutor formam um binômio, uma dupla essencial para o trabalho de salvamento.

“Quando a gente aplica um cão para uma pessoa perdida em uma área como essa, por exemplo, ele equivale ao trabalho de 18 militares. E é algo que a gente consegue ver no dia a dia, tanto a evolução deles quanto a resposta da sociedade, porque é algo que chama atenção e dá um retorno satisfatório”, disse o Cabo Vidotti.