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Brasil bate novo recorde de afastamentos por doenças mentais

Mais de 546 mil trabalhadores se licenciaram em 2025; ansiedade e depressão concentram a maior parte dos casos, aponta Previdência

Bruno Henrique
BRUNO HENRIQUE

05/02/2026 • 14:43 • Atualizado em 05/02/2026 • 14:43

O Brasil registrou em 2025 mais de 546 mil afastamentos de trabalhadores por transtornos mentais, segundo dados do Ministério da Previdência Social, o que representa o maior número da série histórica e o segundo recorde consecutivo nesse tipo de licença.

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Recorde de afastamentos em 2025

Os transtornos de ansiedade lideram os registros, com mais de 166 mil licenças concedidas no período. Em seguida aparecem os episódios depressivos, responsáveis por 126 mil afastamentos. Também entram na lista condições como transtorno bipolar, estresse grave, dependência química e alcoolismo.

O impacto atinge uma ampla gama de ocupações. Vendedores, auxiliares administrativos, professores, técnicos de enfermagem e faxineiros estão entre as categorias que mais aparecem nas estatísticas. Ao todo, trabalhadores de mais de duas mil funções diferentes se afastaram do emprego por problemas de saúde mental em 2025.

Esses dados reforçam a presença crescente da saúde mental na agenda do mundo do trabalho. Profissões com alta pressão e pouca autonomia, segundo especialistas da área, registram maior vulnerabilidade ao adoecimento.

Pressão no trabalho e adoecimento

Para especialistas, o cenário atual não é fruto do acaso. Eles relacionam os números a mudanças estruturais na organização do trabalho no país, com jornadas longas, forte cobrança por metas, contratos mais frágeis e medo constante do desemprego.

Na avaliação desses profissionais, quando surgem sinais como insônia, irritabilidade, crises de ansiedade ou queda abrupta de desempenho, o trabalhador deve buscar ajuda especializada o quanto antes e se informar sobre seus direitos trabalhistas e previdenciários.

Os afastamentos, em muitos casos temporários, também geram reflexos diretos sobre as empresas, com aumento do absenteísmo, queda de produtividade e maior rotatividade de funcionários. Com isso, ganha força o debate sobre a responsabilidade das organizações na prevenção do adoecimento mental.

Empresas buscam prevenção

Em Curitiba, uma empresa de tecnologia adotou um conjunto de ações permanentes para tentar evitar que seus colaboradores cheguem ao limite. Entre as iniciativas estão rodas de conversa com psicólogos, trilhas formativas sobre saúde mental e incentivo a hábitos saudáveis.

A companhia mantém ainda o programa mensal "Para, Respira e Não Pira" e acompanha de perto funcionários que atuam alocados em clientes, para garantir proximidade e suporte contínuo. Palestras e campanhas internas em datas como Janeiro Branco e Setembro Amarelo já fazem parte do calendário anual.

Risco de novos recordes em 2026

Especialistas alertam que, sem mudanças efetivas na organização do trabalho e sem políticas consistentes de prevenção, o Brasil pode voltar a registrar recordes de afastamentos por transtornos mentais já em 2026. Eles defendem que cuidar da saúde mental deve ser entendido como responsabilidade compartilhada entre trabalhadores, empresas, gestores e poder público.