Band Paraná

Cachalote raro encalha vivo na Ilha do Mel e é resgatado

Fêmea juvenil de 2,1 m foi levada para centro de reabilitação da UFPR e segue em observação constante

Bárbara Hammes
BÁRBARA HAMMES

25/03/2026 • 15:26 • Atualizado em 25/03/2026 • 15:26

Uma fêmea juvenil de cachalote (Kogia sp.) encalhou viva na manhã desta quarta-feira (24) na porção oeste da Ilha do Mel, no litoral do Paraná, e foi resgatada por uma equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR), que a encaminhou para reabilitação em Pontal do Paraná.

Compartilhar

Entre no nosso canal de WhatsApp e fique por dentro de tudo

Resgate mobiliza equipes na Ilha do Mel

Moradores avistaram o mamífero marinho, pertencente ao grupo de golfinhos e baleias, e acionaram o time do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado no estado pelo LEC-UFPR.

A equipe multidisciplinar se deslocou até a faixa de areia e realizou os primeiros atendimentos no próprio local, com foco na estabilização do animal e na preparação para o transporte seguro.

Na sequência, o cetáceo foi embarcado e encaminhado ao Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise de Saúde da Fauna Marinha (CReD-UFPR), que funciona no Centro de Estudos do Mar (CEM-UFPR), em Pontal do Paraná.

Estado de saúde e características do animal

Após avaliação clínica no CReD-UFPR, os especialistas identificaram que se trata de uma fêmea juvenil do gênero Kogia, conhecida popularmente como cachalote, com comprimento estimado de 2,10 metros.

O animal apresenta diversas escoriações pelo corpo e marcas compatíveis com mordidas de tubarão-charuto (Isistius brasiliensis), e permanece em processo de estabilização, sob monitoramento constante da equipe técnica.

"Estamos realizando todos os procedimentos necessários para estabilizar o animal, com suporte intensivo e monitoramento contínuo. As próximas horas são fundamentais para avaliar a resposta aos tratamentos iniciais", destaca o médico veterinário do PMP-BS/LEC-UFPR, Felipe Fukumori.

Espécie oceânica rara em áreas costeiras

O registro chama a atenção porque o cachalote do gênero Kogia é considerado raro em regiões costeiras, já que costuma habitar águas oceânicas, mais profundas e afastadas da zona de praia.

Para a gerente operacional do PMP-BS/LEC-UFPR, Liana Rosa, ocorrências como essa ajudam a ampliar o conhecimento científico sobre espécies marinhas com poucos registros no Brasil.

"Por ser um animal de hábitos oceânicos e discreto, muitos dos registros que temos nacionalmente estão relacionados a situações de encalhe. Cada ocorrência representa uma oportunidade importante de coleta de dados e de compreensão sobre a biologia e as ameaças enfrentadas pelas espécies marinhas, incluindo espécies migratórias e de distribuição ainda pouco conhecida", explica.

Monitoramento no litoral do Paraná

O animal segue sob cuidados especializados da equipe do LEC-UFPR via projeto PMP-BS, no CReD-UFPR, e continua em processo de estabilização clínica.

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na região.

No Paraná, no Trecho 6, a execução do PMP-BS é responsabilidade do LEC-UFPR, que monitora diariamente o litoral em busca de animais marinhos vivos ou mortos e atua no resgate, na reabilitação e na coleta de dados sobre a fauna.