Candidatos do concurso da Secretaria da Saúde do Paraná denunciaram possíveis falhas na fiscalização da prova aplicada no último domingo, em diversas cidades do estado, após a circulação de uma suposta foto feita dentro da sala de aplicação que indicaria o uso de celular durante o exame.
Imagem em sala de prova levanta suspeitas
A imagem, publicada nas redes sociais pela própria candidata, mostra uma carteira com identificação e o que seriam documentos do concurso. O registro chama atenção porque sugere o uso de telefone celular durante a prova, prática proibida pelo edital.
O concurso é elaborado e aplicado pela Fundação Fafipa. O edital determina que, ao entrar na sala, o candidato deve guardar todos os equipamentos eletrônicos em um envelope de segurança fornecido pela fiscalização.
Segundo o regulamento, os aparelhos precisam permanecer desligados e a orientação é que o participante retire a bateria, justamente para evitar qualquer emissão de som.
Relatos de celulares tocando e mochilas em sala
Depois que a foto passou a circular entre os concorrentes, mais de uma dezena de candidatos procurou a reportagem para relatar outras situações que consideram irregulares durante o exame.
Um candidato que fez a prova em Londrina, e que preferiu não se identificar, afirmou que celulares tocaram dentro da sala durante a aplicação.
“Na sala em que eu estava, mais de um celular tocou durante a prova. O fiscal chegou a recolher aparelhos, mas não tomou nenhuma providência em relação aos candidatos”, relatou o participante.
Outra candidata contou que o procedimento de segurança com mochilas e eletrônicos não foi cumprido na unidade em que prestou o concurso.
“As mochilas deveriam ficar em local separado, mas muita gente entrou com a mochila na sala. Tinha gente com alarme tocando e ninguém foi desclassificado. O fiscal disse que podia fazer a prova tranquilo. A gente lê o edital e pensa: se é para seguir o edital, vamos seguir certo. É injusto”, afirmou.
Denúncias chegam ao Ministério Público
Diante dos relatos, candidatos protocolaram representações no Ministério Público e em outros órgãos de controle. Eles também estudam a possibilidade de ingressar com recursos administrativos para contestar a aplicação da prova.
Na visão dos participantes, as situações narradas podem afetar a isonomia do concurso e colocar em dúvida a lisura do processo seletivo.
Organizadores são cobrados por esclarecimentos
A avaliação oferece 641 vagas para diversas funções na Secretaria da Saúde do Paraná, com mais de 92 mil inscritos em todo o estado.
Em nota, a Secretaria de Estado da Administração e da Previdência informou que notificou a Fundação Fafipa para que se manifeste formalmente sobre a imagem que circula nas redes e demais canais de comunicação.
Procurada, a Fundação Fafipa afirmou, por telefone, que eventuais informações oficiais sobre o concurso serão divulgadas no site da instituição.
Enquanto aguardam esclarecimentos, candidatos que se prepararam para o exame dizem temer prejuízos e cobram que as regras previstas em edital sejam integralmente cumpridas.
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