
Começo de 2026 tem sido difícil para setor de gastronomia e entretenimento do Paraná
Foto: Freepik
Empresários do setor de gastronomia e entretenimento relatam queda de até 40% no faturamento no primeiro trimestre de 2026, principalmente em Curitiba, segundo a Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), que atribui o recuo a fatores econômicos, sazonais e mudanças de comportamento.
Um ponto citado por empresários é a mudança no comportamento do consumidor, incluindo o impacto do uso de medicamentos para emagrecimento.
Receita encolhe até 40% no 1º trimestre
De acordo com a Abrabar, informes enviados por bares e casas noturnas indicam retração entre 28% e 40% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado.
O presidente da entidade, Fábio Aguayo, avalia que a combinação de endividamento das famílias, alta de custos operacionais e um início de ano mais fraco para o turismo explica boa parte do resultado negativo.
Em Curitiba, o proprietário do Diesel Café Concerto, Jeff Sabbag, afirma que este foi o pior começo de ano desde a abertura da casa, há 12 anos, com queda entre 28% e 30% na receita dos três primeiros meses.
"Faturei um terço a menos que no ano passado. A principal razão é o endividamento da população. Clientes que vinham toda semana agora aparecem uma vez por mês, dizendo que estão sem dinheiro", relata Sabbag.
Custos sobem e cliente consome menos
Sabbag também cita a escalada dos custos como fator de pressão. Segundo ele, as despesas semanais com alimentos e bebidas passaram de R$ 15 mil para R$ 24 mil em um ano, o que o levou a reduzir a margem de lucro e a segurar reajustes no cardápio para não afastar o público.
O empresário aponta ainda uma mudança no comportamento de consumo, relacionada, entre outros fatores, ao uso de medicamentos para emagrecimento.
"Grande parte do meu público é feminino, e muitas clientes estão consumindo menos. Pedem um prato e dividem entre duas ou três pessoas", afirma.
Turismo, clima e shows grátis alteram fluxo
O setor teve um alívio em janeiro, impulsionado por eventos como a 43ª Oficina de Música, pré-carnavais, grandes turnês musicais e maior ocupação hoteleira, responsável por cerca de metade do movimento dos bares no período, segundo empresários.
Mesmo assim, fevereiro e março registraram forte desaceleração, cenário semelhante ao observado por Eder Colaço, responsável pelo Santa Marta e outros bares em Curitiba, que calcula queda entre 30% e 40% no trimestre.
Ele atribui o desempenho fraco a uma combinação de fatores: repercussão de casos de falsificação de bebidas com metanol no segundo semestre de 2025, chuvas acima da média no fim do ano passado e uma sequência de grandes eventos gratuitos no litoral paranaense durante o verão.
"Shows gratuitos que reúnem centenas de milhares de pessoas acabam reduzindo o público na capital. Isso impacta diretamente o movimento dos bares", afirma Colaço.
Empresários também relatam que medicamentos conhecidos como "canetas emagrecedoras" têm reduzido o consumo em bares e restaurantes, especialmente de alimentos e bebidas de maior valor agregado.
Setor tenta se ajustar e aposta em feriados
Diante do quadro, o setor estuda estratégias para os próximos anos, como redução de equipes nos meses de verão e adaptação dos cardápios a novos padrões de consumo.
Na visão de Aguayo, a agenda de feriados e eventos esportivos pode trazer algum fôlego para o caixa dos estabelecimentos ao longo de 2026.
"Esperamos que daqui para a frente melhore, pois irão começar os feriados. Temos agora o feriado da Semana Santa, depois 21 de abril, depois 1º de maio, são vários, mais Copa do Mundo de Futebol", afirma o presidente da Abrabar.
"Temos também as eleições, que podem dar uma quebrada, mas é um momento que os estabelecimentos podem aproveitar incentivando jantares e eventos políticos nos bares, onde é mais barato que clubes e espaços de eventos", conclui.
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