O Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou o uso do plasma rico em plaquetas (PRP), obtido do sangue do próprio paciente, como tratamento complementar para quatro tipos de lesão em joelhos, cotovelos e coluna lombar, de acordo com resolução publicada nesta quarta-feira.
Até então considerado experimental, o procedimento poderá ser aplicado como terapia auxiliar em casos de osteoartrite de joelho, discopatia lombar, epicondilite lateral do cotovelo e em reparos meniscais. A norma veda o emprego da técnica em procedimentos estéticos.
O que muda com a nova resolução
Segundo o relator da resolução, médico Francisco Cardoso, o PRP não substitui tratamentos já consagrados, como acompanhamento clínico, fisioterapia ou cirurgias, e deve ser adotado apenas como complemento às condutas indicadas para cada paciente.
A resolução também impede que profissionais prometam cura ou ofereçam garantias de resultado ao usar o PRP. O objetivo, conforme o texto, é reforçar a segurança dos pacientes e evitar propaganda indevida em torno da terapia.
"A vantagem para o paciente é que o PRP, em alguns casos, pode melhorar condições de dor crônica, de artrose, de desgaste ósseo que poderiam levar a uma incapacidade funcional e até mesmo a uma cirurgia", afirmou Francisco Cardoso.
Como funciona o tratamento com PRP
O plasma rico em plaquetas é obtido a partir da coleta de sangue do próprio paciente. Esse material passa por processamento para concentrar as plaquetas e, em seguida, os médicos aplicam o produto diretamente na área lesionada, como joelhos, cotovelos ou região lombar.
Por se tratar de um produto feito a partir de material do próprio paciente, o PRP não possui registro sanitário na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nesses casos, a responsabilidade recai sobre o Ministério da Saúde e sobre conselhos profissionais, como o CFM, que definem as indicações aceitas e avaliam as evidências científicas disponíveis.
Mais pesquisas e novas terapias em avaliação
Na visão de Cardoso, a decisão marca o início de uma regulamentação mais ampla sobre terapias produzidas a partir de material biológico do paciente.
"O PRP é o primeiro desses produtos. O CFM vai agora avaliar outros produtos que estão sendo requisitados e terão o mesmo tratamento que o PRP teve: pesquisa científica densa, discussão, debate, segurança para uma possível liberação", explicou o relator.
O CFM ressalta que o PRP deve seguir sendo utilizado dentro de protocolos bem estabelecidos, com registro adequado em prontuário e acompanhamento próximo dos pacientes, para que a coleta de dados fortaleça o conhecimento científico sobre a eficácia e os limites da terapia.
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