A derrubada de dezenas de árvores, incluindo duas araucárias, no canteiro central da Avenida Arthur Bernardes, no bairro Santa Quitéria, em Curitiba, durante o fim de semana, gerou novos protestos de moradores e ativistas contra as obras do novo Inter 2 na capital paranaense.
A via integra um lote de intervenções viárias que a prefeitura pretende executar em diferentes bairros da cidade. Manifestantes afirmam que o projeto não responde às necessidades reais de mobilidade urbana e defendem alternativas voltadas ao transporte coletivo e ao planejamento urbano.
Ativistas contestam projeto de mobilidade
Segundo o movimento SOS Arthur Bernardes, a prioridade do poder público deveria ser a melhoria do transporte coletivo, com foco em tarifa, integração e definição do adensamento urbano em áreas que não favoreçam a especulação imobiliária.
"Precisamos reduzir as tarifas, integrar as regiões mais distantes ao centro e revisar o Plano Diretor para não adensar a cidade apenas em áreas privilegiadas pela especulação imobiliária. Não houve nenhum acordo da prefeitura de Curitiba com o movimento SOS Arthur Bernardes sobre esse projeto do Inter 2 aqui na região nem na cidade como um todo, porque ele não atende as demandas reais da população", afirmou a ativista climática Verônica Rodrigues.
Moradores da região protestam contra os cortes de árvores desde 2024. Eles criticam a derrubada de espécies nativas e simbólicas do Paraná, como as araucárias, e cobram mais transparência nas definições do traçado e dos impactos das obras.
Prefeitura cita consultas públicas e plantio de mudas
A prefeitura de Curitiba informa que a retirada das árvores é necessária para ampliar as vias e implantar o novo Inter 2. O Executivo municipal afirma ainda que, desde 2019, realizou consultas públicas e que o licenciamento ambiental contou com participação da população.
Nesta segunda-feira, o prefeito Eduardo Pimentel voltou a defender o projeto e destacou ações de compensação ambiental na região da Arthur Bernardes. Segundo ele, o município já realizou plantios expressivos de mudas ao longo do traçado.
"Já foi plantado mais de 8.500 árvores somente neste parque linear que se transformará a Arthur Bernardes. Isso faz parte do nosso grande pacote de 500 mil árvores que serão plantadas na cidade de Curitiba em quatro anos. Já plantamos mais de 220 mil árvores", declarou o prefeito Eduardo Pimentel.
A prefeitura sustenta que o conjunto das obras viárias e do plantio de mudas vai ampliar a mobilidade e, ao mesmo tempo, preservar e recompor áreas verdes. Já os movimentos contrários prometem manter as mobilizações e pressionar por mudanças no projeto.
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