Os vereadores de Curitiba aprovaram, em primeiro turno, um projeto de lei que garante a candidatos com diabetes o direito de levar insulina, medicamentos e equipamentos de controle glicêmico a concursos públicos, processos seletivos e provas organizados pela Prefeitura de Curitiba e pela administração indireta.
Hoje, muitos desses itens são barrados na entrada dos locais de prova por serem considerados eletrônicos ou potencialmente irregulares, o que gera preocupação para quem convive com a doença. Um estudo citado na justificativa do projeto aponta que cerca de 10% da população vive com diabetes.
A estudante de Medicina Nicole Campolim, diabética desde os seis anos, conta que o período de vestibular foi ainda mais difícil por causa das restrições impostas nas provas.
“Sempre que eu ia fazer prova, precisava pedir autorização para levar meus equipamentos. Muitas vezes não deixavam, e eu acabava ficando tensa. Em vez de focar só no vestibular, ficava pensando se minha saúde ia aguentar”, relatou Nicole.
Projeto ainda precisa de nova votação
De acordo com o texto aprovado na Câmara Municipal de Curitiba, o direito será assegurado mediante comunicação prévia à organização da prova, informando a necessidade de uso de medicamentos e aparelhos para controle da diabetes.
O projeto, de autoria do vereador Renan Ceschin (União), ainda precisa passar por segunda votação em plenário, prevista para a próxima semana. Se for novamente aprovado, seguirá para sanção ou veto do prefeito Eduardo Pimentel.
Para o autor da proposta, a iniciativa representa um avanço na inclusão de pessoas com doenças crônicas em seleções públicas.
“É uma grande vitória para as pessoas com diabetes. Elas vão poder ir para o concurso público com tranquilidade, sabendo que terão acesso a tudo o que precisam para cuidar da saúde”, afirmou Ceschin.
Impacto na saúde e no desempenho
A endocrinologista Ângela Nazário avalia que a mudança é importante para preservar a saúde dos candidatos e evitar situações de risco durante as provas. Segundo ela, a falta de acesso a insumos pode desencadear alterações na glicemia e comprometer o desempenho.
“Essa medida é importante tanto para o candidato, que passa a fazer a prova com segurança em relação à própria saúde, quanto para o fiscal, que poderá autorizar o uso dos equipamentos sem medo de cometer um erro”, analisou a médica.
Ela explica que o estresse causado pela insegurança em relação ao tratamento pode interferir nos níveis de insulina e agravar o quadro clínico, o que reforça a necessidade de regras claras para o uso de medicamentos e aparelhos em ambientes de prova.
Segurança para candidatos e fiscais
Para quem convive com a doença desde a infância, como Nicole, a expectativa é de que a nova regra traga mais tranquilidade e foco na hora do exame, caso o projeto vire lei.
“É muito importante ver esse tipo de cuidado. A gente estuda, se prepara, mas a saúde tem que vir em primeiro lugar. Com essa garantia, dá para pensar mais na prova e menos na doença”, concluiu a estudante de Medicina.
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