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Curitiba sedia encontro que reforça pacto e ações contra feminicídio

Evento reuniu governo, Congresso e Itaipu; país registrou mais de 1,5 mil vítimas em 2025 e discute monitorar agressores por tornozeleira

Bárbara Hammes
BÁRBARA HAMMES

27/03/2026 • 14:21 • Atualizado em 27/03/2026 • 14:21

Autoridades do governo federal, parlamentares, representantes de Itaipu Binacional e forças de segurança se reuniram nesta sexta-feira, em Curitiba, para discutir políticas públicas de enfrentamento ao feminicídio, crime que em 2025 matou em média quatro mulheres por dia no Brasil.

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Encontro integra poderes e forças de segurança

O objetivo do encontro foi fortalecer ações concretas de proteção à mulher e articular a atuação conjunta entre os diferentes poderes, órgãos de Justiça e estruturas de segurança pública.

Entre as iniciativas destacadas está o Centro Integrado Mulher Segura, que reúne serviços de acolhimento, atendimento jurídico e apoio psicossocial, além de articular respostas rápidas em situações de risco.

Segundo a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, a integração entre União, estados e municípios é essencial para ampliar a rede de proteção e garantir que as políticas não fiquem apenas no papel.

Itaipu adere ao Pacto Brasil contra o Feminicídio

O encontro também marcou a adesão oficial da Itaipu Binacional ao Pacto Brasil contra o Feminicídio, compromisso nacional para financiar e apoiar ações de prevenção e combate à violência de gênero.

De acordo com o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, a empresa já investe em estruturas como a Casa da Mulher em Foz do Iguaçu e em Ponta Porã e pretende ampliar o apoio a projetos voltados à proteção das mulheres.

Ele avalia que não há desenvolvimento econômico e sustentável possível em uma sociedade marcada pela desigualdade e pela violência contra mulheres.

Pressão por legislação mais rígida

Em 2025, o Brasil registrou número recorde de feminicídios, com mais de 1,5 mil vítimas, o que equivale a quatro mulheres assassinadas por dia em razão de gênero.

Diante desse cenário, participantes ressaltaram a necessidade de avançar em mudanças legais, entre elas o projeto de lei que criminaliza a misoginia e endurece a resposta do Estado a crimes motivados por ódio ou desprezo às mulheres.

Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o debate sobre o tema deve envolver toda a sociedade para evitar distorções na tramitação do projeto na Câmara dos Deputados.

Já a deputada federal Lenir de Assis, do Paraná, destacou o trabalho no Legislativo para articular a aprovação da proposta e consolidar um arcabouço jurídico mais robusto de enfrentamento à violência de gênero.

Monitoramento eletrônico de agressores

Outra frente em andamento discutida no evento é o monitoramento eletrônico de agressores, medida que permite acompanhar o cumprimento de medidas protetivas determinadas pela Justiça.

Segundo Gleisi Hoffmann, o governo federal está adquirindo equipamentos, como tornozeleiras e dispositivos em formato de relógio, para garantir maior controle sobre a movimentação de homens que respondem por violência doméstica.

Na avaliação das autoridades presentes, o uso de tecnologia aliado à integração entre os poderes e a uma legislação mais firme é um passo importante para reduzir os índices de feminicídio e ampliar a segurança das mulheres em todo o país.