Band Paraná

Devotos criticam retirada de placas do túmulo de Maria Bueno

Fiéis falam em apagamento da memória da milagreira; veja o que diz a Prefeitura de Curitiba

Da redação
DA REDAÇÃO

12/03/2026 • 14:57 • Atualizado em 12/03/2026 • 14:57

Polêmica entre devotos de Maria Bueno: Cadê as placas?

Polêmica entre devotos de Maria Bueno: Cadê as placas?

Foto: Band Paraná

Devotos de Maria Bueno protestam contra a retirada de dezenas de placas de agradecimento que ficavam no muro em frente à capela dedicada à milagreira, na quadra 2 do Cemitério Municipal São Francisco de Paula, em Curitiba.

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As placas metálicas, muitas com mais de um século, reuniam relatos de graças atribuídas à intercessão de Maria Bueno e cobriam praticamente toda a parede ao lado do túmulo, que é um dos mais visitados da capital paranaense.

A aposentada Taís Horbatiuk, que se apresenta como devota de Maria Bueno, afirmou que se chocou ao encontrar a parede vazia.

"Fiquei chocada com o ocorrido, sou devota de Maria Bueno. Não é possível que a prefeitura simplesmente tirou e descartou placas de agradecimento a Maria Bueno, muitas estavam lá há mais de 100 anos. Maria Bueno faz parte da história da cidade. Remover as placas sem dar nenhuma satisfação à sociedade é remover parte de nossa história", disse.

Devotos falam em apagamento da memória

Para a jornalista Luciana Penante, idealizadora do projeto Curitiba Sombria, a retirada das placas atinge não só a devoção, mas também o patrimônio histórico e cultural de Curitiba.

"Fui surpreendida ao chegar ao túmulo de Maria Bueno e ver a parede vazia. Aquele é um local de devoção, além de patrimônio material (pelas placas antigas) e imaterial (pelo culto) de Curitiba. Registros comprovam que na década de 60 esse muro já estava lá, com placas datando do início do século XX. A quem interessa apagar a história de devoção a uma mulher preta brutalmente assassinada e alçada ao posto de santa popular? Maria Bueno e sua história merecem respeito", declarou.

O que diz a Prefeitura de Curitiba

Em nota, a Prefeitura de Curitiba afirmou que o túmulo de Maria Bueno "segue sem alterações" no Cemitério Municipal São Francisco de Paula.

O túmulo de Maria Bueno permanece sem qualquer alteração no Cemitério Municipal São Francisco de Paula.

As placas que estavam fixadas no muro do cemitério, em frente ao túmulo, foram retiradas pela associação responsável pelo cuidado do túmulo, a Irmandade Maria Conceição Bueno, a pedido da administração do cemitério, para permitir a manutenção de encanamentos que passam pelo local onde estavam instaladas.

As placas permanecem em poder da Irmandade Maria Conceição Bueno. A administração do Cemitério Municipal São Francisco de Paula está à disposição para dialogar sobre a eventual recolocação dos itens, observadas as condições técnicas e as normas do espaço.

Quem foi Maria Bueno

Maria Bueno foi assassinada em Curitiba na madrugada de 29 de janeiro de 1893. A jovem, pobre e parda, apareceu morta em uma área próxima à atual avenida Vicente Machado, com ferimentos graves no pescoço.

O principal suspeito era o soldado Ignacio José Diniz, com quem ela mantinha um relacionamento. Ele respondeu a júri popular em julho daquele ano, mas o Tribunal do Júri o absolveu por falta de provas.

Após o crime, moradores passaram a relatar acontecimentos considerados inexplicáveis no local da morte e no túmulo da vítima, como velas que não se apagavam e uma roseira que teria nascido ali, o que atraiu curiosos e devotos.

A devoção cresceu ao longo das décadas. Fiéis inicialmente acendiam velas na sepultura simples do Cemitério Municipal São Francisco de Paula até que, em 1960, admiradores construíram uma capela no local.

Túmulo da milagreira Maria Bueno, assassinada em 1853, é o mais visitado do Cemitério São Francisco de Paula, em Curitiba. Fotos: Fernanda Verhagen/CMC 2024

Túmulo da milagreira Maria Bueno, assassinada em 1853, é o mais visitado do Cemitério São Francisco de Paula, em Curitiba. Fotos: Fernanda Verhagen/CMC 2024

Hoje, o túmulo de Maria Bueno é o mais visitado do cemitério e recebe pessoas de várias regiões que fazem pedidos, agradecem promessas ou prestam homenagens. A devoção não é reconhecida oficialmente pela Igreja Católica, mas se consolidou como uma das tradições populares mais conhecidas da história de Curitiba.