O Dia Mundial da Obesidade, lembrado nesta quarta-feira (4), chama a atenção para o avanço do excesso de peso no Brasil, onde mais da metade da população já convive com o problema e o número de pessoas com obesidade mais que dobrou em um período de 18 anos.
Número de pessoas com obesidade mais que dobrou
Levantamentos recentes indicam que o excesso de peso atinge mais de 50% dos brasileiros. Nas capitais, a situação é ainda mais grave: seis em cada dez moradores estão acima do peso considerado ideal.
O quadro preocupa autoridades de saúde porque o ganho de peso se associa diretamente ao aumento de doenças crônicas e à sobrecarga dos serviços de atendimento, tanto na rede pública quanto na privada.
O excesso de gordura corporal aparece entre os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, que seguem entre as causas mais frequentes de mortes no país.
Riscos para o coração e outras doenças
Segundo o cardiologista Gustavo dos Reis Marques, o impacto vai muito além da estética. Para ele, o acúmulo de gordura no corpo altera o funcionamento de vários órgãos.
'O peso elevado aumenta a chance de o paciente desenvolver pressão alta, infarto, derrame e também problemas como diabetes tipo 2 e alterações do colesterol', afirma o médico. 'A obesidade sobrecarrega o coração e os vasos sanguíneos e, com o tempo, isso se traduz em maior risco de eventos graves e morte precoce', completa.
Na visão do especialista, o cenário exige atenção constante e políticas públicas permanentes, já que se trata de uma condição crônica e multifatorial.
Cresce o uso de canetas para emagrecer
Em meio ao aumento de casos, outra preocupação é a busca por soluções rápidas. A demanda por canetas de emagrecimento no Brasil cresceu 88%, de acordo com levantamentos recentes, o que acende um alerta entre os profissionais de saúde.
Marques reforça que esses medicamentos não podem ser usados sem receita ou acompanhamento. 'Essas canetas não são produtos inofensivos nem servem para qualquer pessoa. Elas têm indicações específicas, efeitos colaterais e exigem avaliação prévia. A automedicação pode trazer complicações sérias', alerta o cardiologista.
Ele destaca que o tratamento farmacológico, quando indicado, deve integrar um plano mais amplo, que inclua mudanças de estilo de vida e acompanhamento regular.
Prevenção começa no dia a dia
Para reduzir o avanço da obesidade, os especialistas insistem na prevenção desde cedo. Hábitos saudáveis no cotidiano são apontados como aliados importantes.
'Rotina de atividade física, alimentação equilibrada, controle do estresse e boa qualidade do sono fazem diferença na manutenção do peso e na saúde do coração', orienta Marques.
O cardiologista lembra ainda que, muitas vezes, a obesidade se relaciona a fatores metabólicos, hormonais e emocionais. 'Por isso, não basta apenas tentar dietas restritivas por conta própria. Quando o quadro já está instalado, é fundamental buscar profissionais capacitados, como médicos e nutricionistas, para um tratamento adequado e contínuo', conclui.
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