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DNA em banco nacional esclarece estupro de 2013 no Paraná

Cruzamento automático de perfis genéticos levou à reabertura do inquérito e à denúncia do suspeito, preso por outros crimes

Da redação
DA REDAÇÃO

30/03/2026 • 16:30 • Atualizado em 30/03/2026 • 16:30

Match genético soluciona caso de 2013 e evidencia banco de perfis nas investigações

Match genético soluciona caso de 2013 e evidencia banco de perfis nas investigações

Foto: SESP

Um caso de estupro ocorrido em 2013 em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, foi esclarecido mais de uma década depois graças ao cruzamento automático de perfis de DNA no Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG), o que permitiu a reabertura do inquérito policial e a apresentação de denúncia pelo Ministério Público contra o suspeito, que já está preso em outro Estado por crimes distintos.

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O avanço se tornou possível porque o material biológico coletado à época do crime foi preservado, processado e inserido no banco de dados. Anos depois, a comparação com perfis genéticos de condenados incluídos na base indicou uma coincidência, apontando a possível autoria e destravando uma investigação que seguia sem responsável identificado.

Segundo a perita oficial da Polícia Científica do Paraná (PCIPR) e administradora do banco estadual, Luciellen Kobachuk, o sistema faz buscas recorrentes entre os perfis cadastrados. "A coincidência foi identificada a partir de rotina automatizada de buscas entre os perfis inseridos no banco estadual. O sistema está configurado para executar essas buscas automaticamente, em periodicidade semanal, comparando novos perfis inseridos com os já existentes na base de dados", explica.

Genética forense destrava caso antigo

Com a identificação do perfil compatível, a Polícia Civil comunicou o resultado à Justiça, que determinou a reabertura do inquérito. Na sequência, o Ministério Público ofereceu denúncia por estupro contra o investigado. Para a PCIPR, o desfecho ilustra o potencial da genética forense para elucidar casos antigos sem autoria definida.

Esse tipo de resultado é impulsionado por iniciativas como o projeto Backlog, desenvolvido no âmbito da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos. No Paraná, a Polícia Científica informou que, em 2021, processou mais de 2 mil vestígios de DNA relacionados a crimes sexuais, antecipando a meta estabelecida nacionalmente e colaborando para destravar investigações paradas.

Projeto Backlog reduz amostras pendentes

O projeto Backlog tem como objetivo reduzir o volume de amostras pendentes de análise — o chamado "backlog" — e ampliar a base de dados genéticos. Com isso, os órgãos de investigação conseguem identificar autores de crimes, conectar ocorrências praticadas pela mesma pessoa e, em alguns casos, até inocentar suspeitos inicialmente apontados em apurações.

De acordo com a PCIPR, o processamento das amostras no âmbito do Backlog já resultou em 342 coincidências positivas entre materiais genéticos de vítimas e de suspeitos com perfis registrados no banco, o que gerou mais de 70 laudos periciais que passaram a subsidiar investigações em diferentes estados. "Existem, ainda, outros laudos de matches envolvendo indivíduos condenados, oriundos das amostras processadas durante o período de backlog, e esses resultados continuam sendo encaminhados periodicamente", destaca a perita Luciellen Kobachuk.

Sistema segue produzindo coincidências

Segundo a Polícia Científica, apenas em 2025 as novas inserções no banco já produziram pelo menos 11 coincidências confirmadas entre perfis genéticos de vítimas de violência sexual processadas no projeto Backlog e perfis de condenados recentemente incluídos na base. Para a instituição, os dados mostram que o sistema permanece ativo e gerando resultados contínuos.

A PCIPR mantém de forma permanente a coleta, análise e inserção de perfis genéticos no BNPG, tanto por meio do Backlog quanto por outras iniciativas do Estado. Na avaliação do órgão, o trabalho contínuo amplia a base de dados, fortalece a capacidade de elucidar crimes, inclusive os sem autoria definida há anos, e reforça o uso da ciência como instrumento de apoio à segurança pública e à busca por justiça às vítimas.