Band Paraná

Dois homens são presos por golpes imobiliários em Ponta Grossa

Suspeitos usavam escritório de fachada e vendiam consórcios como se fossem imóveis; polícia apura ligação com grupo preso em Curitiba

Bárbara Hammes
BÁRBARA HAMMES

04/06/2026 • 13:31 • Atualizado em 04/06/2026 • 13:58

A Polícia Civil prendeu dois homens, de 22 e 24 anos, na manhã desta quinta-feira (4), em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, durante uma operação contra golpes imobiliários aplicados por meio de um escritório de fachada.

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Escritório de fachada e 'feirão da casa nova'

Segundo a corporação, os mandados de prisão foram cumpridos nas primeiras horas do dia. O grupo atuava em um endereço comercial que simulava ser uma imobiliária e atraía vítimas, em sua maioria de baixo poder aquisitivo, com anúncios na internet e nas redes sociais.

De acordo com o delegado Gabriel Munhoz, os criminosos não informavam o endereço nos anúncios para obrigar o interessado a entrar em contato. 'Eles divulgavam ofertas de imóveis e financiamentos pelas redes sociais, mas sem indicar o local. Quando a pessoa procurava, era convidada a ir até o escritório, onde se criava toda uma atmosfera para passar uma imagem de seriedade', explicou.

A polícia apurou que os suspeitos chegavam a promover um falso evento, chamado de 'Feirão da Casa Nova', para aumentar a sensação de oportunidade única e pressionar o fechamento do negócio.

Vítimas pagavam consórcio pensando comprar imóvel

Conforme a investigação, o esquema funcionava como uma venda enganosa. As vítimas acreditavam estar comprando um imóvel ou contratando um financiamento habitacional e realizavam pagamentos via Pix aos investigados.

Somente depois elas descobriam que, na verdade, tinham adquirido uma cota de consórcio, sem qualquer garantia de receber o imóvel prometido. 'Era um modelo pensado para confundir, sobretudo quem busca a casa própria e não tem familiaridade com produtos financeiros', avaliou Munhoz.

Crimes investigados e ligação com grupo de Curitiba

Os dois presos podem responder por propaganda enganosa, associação criminosa, estelionato e exercício irregular da profissão. A polícia também analisa documentos e equipamentos apreendidos no escritório para identificar outros envolvidos e novas vítimas.

Munhoz afirmou que há possibilidade de ligação do grupo com criminosos detidos em Curitiba neste ano, suspeitos de aplicar golpes semelhantes. 'Trabalhamos com a hipótese de que parte da quadrilha que atuava na capital migrou para Ponta Grossa após as prisões. Essa conexão está sendo verificada', afirmou o delegado.

Como se proteger de golpes imobiliários

Na visão do delegado, a prevenção é fundamental para evitar prejuízos. Ele orienta que interessados em comprar imóveis desconfiem de ofertas com valores muito abaixo do mercado e verifiquem sempre a reputação da empresa.

'A recomendação é procurar imobiliárias já conhecidas, com endereço físico definido e profissionais devidamente registrados. Também é importante ler atentamente os contratos antes de assinar e não fazer pagamentos adiantados sem esclarecer todas as condições', reforçou Munhoz.