Band Paraná

Edson Foreman: de vendedor de picolé a campeão de boxe

Referência do boxe paranaense esteve no Donos da Bola desta quinta-feira e relembrou uma carreira marcada por títulos, superação e formação de novos atletas

Da redação
DA REDAÇÃO

25/06/2026 • 16:42 • Atualizado em 25/06/2026 • 16:51

De vendedor de picolé e catador de latinhas a campeão brasileiro e internacional. A trajetória de Edson César Antonio, conhecido no mundo do boxe como Edson Foreman, atravessa quase quatro décadas de dedicação ao esporte.

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O ex-boxeador e atual treinador esteve no Donos da Bola desta quinta-feira (25), na Band Paraná, e relembrou episódios que marcaram a vida dentro e fora dos ringues.

Nascido em Sorocaba, no interior de São Paulo, em 1977, Edson foi criado nas ruas de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. De origem simples, enfrentou dificuldades financeiras durante a infância, mas encontrou no boxe um caminho para transformar a própria história.

Início do boxe aos 10 anos

Edson começou a treinar em 1987, aos 10 anos, na Praça Oswaldo Cruz, em Curitiba, sob orientação de Rubens San Perrucham.

Quatro anos depois, aos 14, subiu ao ringue pela primeira vez. O início precoce deu origem a uma ligação com o esporte que se aproxima de quatro décadas.

Nos treinamentos, colegas diziam que o jovem lutador tinha semelhanças com o norte-americano George Foreman, um dos maiores nomes da história do boxe. Quando precisou escolher um nome para disputar a Forja dos Campeões, respondeu: “Edson Foreman”. O apelido permaneceu durante toda a carreira.

Picolé e latinhas ajudaram a financiar viagem

A participação na Forja dos Campeões, em 1995, representou o primeiro grande passo da trajetória esportiva. Para conseguir disputar o torneio em São Paulo, a família precisou encontrar formas de custear a viagem.

O pai de Edson saiu para vender picolés, enquanto o jovem recolhia latinhas. O esforço ajudou a viabilizar a participação na competição, na qual conquistou um título amador e começou a chamar a atenção de apoiadores.

No ano seguinte, Edson foi campeão paranaense. Em 1997, voltou a conquistar o título estadual e tornou-se bicampeão.

Carreira profissional e título brasileiro

Edson Foreman iniciou a carreira profissional em 1999. Ao longo de 20 anos de atuação, disputou 53 lutas, conquistou 46 vitórias e venceu 32 confrontos por nocaute.

Em 2003, alcançou uma das principais conquistas da carreira ao tornar-se campeão brasileiro dos pesos-cruzadores. A disputa foi realizada em Colombo, cidade onde cresceu e iniciou a própria formação pessoal e esportiva.

No ano seguinte, começou a competir fora do Brasil, com lutas na Argentina e no Paraguai.

Experiência no boxe europeu

A carreira internacional ganhou força em 2005, quando Edson passou a viver na Alemanha. Durante dois anos, treinou e competiu pela Boxing Universum, companhia que teve destaque no cenário europeu.

O paranaense realizou lutas em países como Alemanha, Itália e República Tcheca, acumulando experiência em diferentes escolas do boxe.

Em 2008, conquistou o título de campeão do Mundo Hispano do Conselho Mundial de Boxe, uma das principais realizações do currículo.

Dos ringues à formação de atletas

Após construir uma carreira marcada por títulos nacionais e internacionais, Edson passou a dedicar parte da experiência à formação de novos competidores.

Em 2011, fundou a Foreman Boxing, primeira academia comandada pelo ex-pugilista. A partir de 2017, intensificou o trabalho como treinador, participando da preparação de atletas como Fernando Black e Jean Monster, além de novos talentos.

Desde 2021, também atua como sócio-fundador e treinador da Universum Boxing, no bairro Alto da XV, em Curitiba.

Técnico da seleção brasileira

Em 2025, Edson Foreman assumiu uma nova função de destaque no esporte ao comandar a seleção brasileira feminina de boxe durante o Mundial realizado na Sérvia.

No mesmo ano, promoveu a quinta edição da Taça Foreman, evento que reuniu 58 atletas em 27 lutas e recebeu mais de 600 pessoas.

O projeto reforça o trabalho desenvolvido pelo treinador para ampliar o espaço do boxe no Paraná e criar oportunidades para atletas que estão no início da carreira.

Boxe como ferramenta de inclusão

Atualmente, Edson Foreman se prepara para desenvolver um projeto social voltado a crianças de Curitiba. A proposta é utilizar o boxe como instrumento de inclusão, disciplina e formação.

A iniciativa fecha um ciclo que começou nas dificuldades enfrentadas durante a infância e chegou aos principais ringues do Brasil e do exterior.

Depois de 53 lutas profissionais, 46 vitórias e 32 nocautes, Edson Foreman mantém a ligação com o esporte que mudou a própria vida. Agora, fora dos combates profissionais, o campeão trabalha para abrir caminhos para uma nova geração.