Band Paraná

Escola de Dança Teatro Guaíra completa 70 anos em Curitiba

Instituição pública mais antiga do país soma 15 mil alunos formados e 350 prêmios

Da redação
DA REDAÇÃO

11/04/2026 • 13:30 • Atualizado em 11/04/2026 • 13:30

Mais de 15 mil alunos e de mil apresentações: Escola de Dança Teatro Guaíra celebra 70 anos

Mais de 15 mil alunos e de mil apresentações: Escola de Dança Teatro Guaíra celebra 70 anos

Foto: EDTG

Resumo

Comemoração dos 70 anos da Escola de Dança Teatro Guaíra (EDTG) celebra trajetória de referência nacional na formação de bailarinos, com mais de 15 mil alunos formados, 350 prêmios e programação especial em Curitiba, incluindo lançamento de livro, espetáculos comemorativos e masterclasses internacionais.

Atuação da escola envolve integração com corpos artísticos do Centro Cultural Teatro Guaíra, projetos de democratização cultural como o Guaíra para Todos, participação de figuras como Larissa Pansera, Cleverson Cavalheiro e Luciana Casagrande, além de relatos de ex-alunos e professores sobre o papel da EDTG na formação cidadã e afetiva dos estudantes.

Evolução histórica da EDTG abrange desde a fundação em 1956, mudanças pedagógicas, ampliação de cursos e inclusão de dança contemporânea, até adaptações durante a pandemia, com atividades on-line e manutenção do vínculo com o público, consolidando a escola como símbolo de transformação social e artística no Paraná e no Brasil.

A Escola de Dança Teatro Guaíra (EDTG), instituição pública de formação em dança mais antiga em atividade no Brasil, comemora neste sábado (11) 70 anos de história em Curitiba, com programação especial e balanço de uma trajetória que formou milhares de bailarinos.

Compartilhar

Referência nacional na formação de bailarinos

Fundada em 1956 como primeiro corpo artístico do Teatro Guaíra, a escola surgiu para preparar bailarinos para a companhia de dança do teatro, hoje o Balé Teatro Guaíra. É uma das três primeiras escolas de formação em dança do país e acumula mais de 15 mil alunos formados, mais de mil apresentações e cerca de 350 prêmios nacionais e internacionais.

Atualmente, a EDTG tem 108 alunos em um curso gratuito de sete anos, do nível preparatório ao aperfeiçoamento. A grade inclui balé clássico, dança contemporânea e estudos do movimento, com aulas diárias em período parcial. O ingresso ocorre exclusivamente por processo seletivo público, com edital aberto ao fim de cada ano letivo.

Integração com corpos artísticos e formação de plateia

A coordenadora da escola, Larissa Pansera, afirma que um dos objetivos é aproximar os estudantes dos demais corpos artísticos do Centro Cultural Teatro Guaíra e do público em geral, estimulando a formação de novas plateias.

Desde que assumiu o cargo, em 2022, ela relata um esforço conjunto com a direção do teatro. "A nossa intenção foi de aproximar ainda mais a Escola de Dança Teatro Guaíra aos demais corpos artísticos e de fazer com que os alunos acompanhem de perto toda a preparação de um espetáculo, desde a parte da cenografia, passando pela criação de novos figurinos e na elaboração das coreografias", explica.

Larissa também destaca a participação da escola no projeto Guaíra para Todos, que leva apresentações de balé clássico e dança contemporânea para pátios de escolas públicas. Cerca de 12 mil estudantes e professores de Curitiba e Região Metropolitana já assistiram aos espetáculos da EDTG.

"Levar esse projeto para as escolas é como se fosse uma extensão da porta do Teatro Guaíra para as crianças e adolescentes que, na maioria das vezes, não teriam condições de virem até o teatro. A ideia é que cada vez mais pessoas se encantem com nossos espetáculos e, quem sabe, despertar em alguns a vontade de seguir nesta profissão e que possamos descobrir novos talentos", completa a coordenadora.

‘Símbolo vivo de democratização cultural’, dizem gestores

Para o diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, Cleverson Cavalheiro, a escola vai além de um espaço de aprendizagem. Ele define a EDTG como um polo de profissionalização artística e de fomento à arte para novas gerações.

"Desde sua criação, a Escola de Dança Teatro Guaíra se consolida como um dos pilares do nosso centro cultural, formando talentos que encantam plateias no Brasil e no mundo e promovendo a profissionalização de futuros artistas com excelência e reconhecimento", ressalta Cavalheiro.

Na avaliação da secretária de Estado da Cultura, Luciana Casagrande, os 70 anos da EDTG representam um marco para o Paraná e para o país. "Como uma das escolas de dança pública, integralmente gratuita, ainda em atividade no Brasil, a EDTG é mais do que uma instituição: é um símbolo vivo de democratização cultural, transformando vidas por gerações", destaca.

Masterclasses internacionais e espetáculo comemorativo

As comemorações pelos 70 anos começaram no ano passado, com uma parceria inédita entre a Ópera Nacional de Paris, o Centro Cultural Teatro Guaíra e a Secretaria de Estado da Cultura. Alunos da EDTG participaram de masterclasses exclusivas ministradas por Élisabeth Platel, diretora da Escola da Ópera de Paris, e pelos étoiles Alice Renavand e Stéphane Bullion.

Neste ano, a escola prepara um novo espetáculo comemorativo, que será apresentado nos dias 3 e 4 de julho. A coreografia é assinada por Allan Keller, colaborador frequente do CCTG e responsável, entre outros trabalhos, por "Anima", do premiado espetáculo "Contraponto" do Balé Teatro Guaíra.

"Fiquei muito feliz por celebrar esta história, entendendo que o Teatro Guaíra já é um local onde faço meus sobrevoos, e desta vez me deram este desafio de celebrar este aniversário junto com a instituição. É um trabalho, acima de tudo, muito coletivo e estou propondo aqui um espetáculo de celebração, de muita alegria e de realização de sonhos, que é isso, de certa forma, que a escola propõe", comenta Keller.

A direção-geral do espetáculo será de Larissa Pansera. A nova coreografia, já apresentada internamente para alunos e professores, aborda o sonho do artista que se torna realidade. "A obra fala sobre esse sonho de estar no teatro: todo artista, quando começa lá na base, sonha com isso, poder se apresentar em um grande palco, incluindo o palco sagrado do Guaíra, um dos maiores do país", antecipa o coreógrafo.

Livro resgata memória e legado da EDTG

Como parte das ações comemorativas, a escola prepara o lançamento de um livro que resgata as sete décadas de história da instituição. A obra está a cargo do jornalista Zeca Corrêa Leite, também responsável pelo livro sobre os 140 anos do Teatro Guaíra.

Para o diretor artístico do Centro Cultural Teatro Guaíra, Áldice Lopes, o registro editorial reforça o papel da escola na formação artística e cidadã. "Este livro não será apenas um registro de sete décadas de história, mas a prova viva do legado de um espaço de formação artística, que transforma sonhos em realidade, com excelência, investindo no futuro da dança e da arte paranaense", afirma.

Afeto, formação cidadã e memórias afetivas

Alunos, ex-alunos, professores e ex-coordenadores descrevem a EDTG como mais do que um espaço de aperfeiçoamento artístico. Muitos se referem à escola como uma segunda casa.

Coordenadora entre 2011 e 2016, Silvia Andrejeski Massuchin relembra o ambiente que viveu como aluna e professora. Ela descreve o corpo docente como uma família e destaca a união entre os professores.

Para Patrícia Otto, que foi aluna, professora e coordenadora entre 2016 e 2021, a escola vai além da formação técnica. "Eu vejo que essa escola não forma só artistas, mas cidadãos. Tenho ex-alunos que foram para outras áreas e que até hoje falam o quanto a escola os guia na vida como pessoas, em suas atitudes e em seus valores", relata.

A bailarina Ana Silva, ex-integrante do Balé Teatro Guaíra e uma das fundadoras da G2 Cia de Dança, foi aluna da EDTG em 1965 e considera a escola a base de toda a sua trajetória. Ela lembra o incentivo que recebeu da professora Marlene Tourinho, que disse à sua mãe para não deixá-la desistir porque tinha futuro na dança.

As lembranças também marcam a história de Eleonora Greca e Regina Kotaka, ex-bailarinas do Balé Teatro Guaíra que deram os primeiros passos na EDTG. Eleonora mantém uma pasta com fotos, recortes de jornais e objetos usados na época. "A minha história começa com uma sementinha plantada em uma escola de dança pública e gratuita e que só cresceu e floresceu", conta.

Regina destaca o impacto da convivência com colegas e professores. Segundo ela, a escola criou laços que se transformaram em amizades para a vida inteira. Já Eleonora projeta o futuro da instituição: "Acredito que a escola tem que ter vida eterna. A menina que entra na EDTG pode até não se tornar bailarina, mas vai ser uma pessoa que vai apoiar as artes, e a disciplina aprendida vai nortear a vida inteira dela, como um verdadeiro farol", conclui.

Sete décadas de história e evolução

De acordo com o livro sobre os 140 anos do Teatro Guaíra, de Zeca Corrêa Leite, a criação da Escola de Dança ocorreu de forma discreta, em 11 de abril de 1956, com a publicação em Diário Oficial da abertura de um curso de balé nas dependências do teatro. As aulas, gratuitas, eram ministradas por Teresa Pedron de Siqueira, professora de balé do Clube Curitibano, em uma pequena sala onde cerca de 30 alunas recebiam instrução básica.

Em 1957, o professor Aroldo Moraes iniciou a estruturação do curso. No fim dos anos 1960, a formação ganhou 12 níveis, incluindo História da Dança e História da Música, com apresentações anuais no Guairinha. Depois da saída de Aroldo, passaram pela coordenação nomes como Lorna Kay e Yara de Cunto, que preparou a criação do primeiro corpo de baile do Teatro Guaíra, embrião do Balé Teatro Guaíra.

Na década de 1970, o coreógrafo e bailarino polonês Yuri Shabelewski assumiu a escola, tornou as aulas diárias e ampliou o tempo de formação. Em 1980, sob coordenação de Liane Frank Essenfelder e orientação pedagógica de Ceci Chaves, a EDTG reformulou o conteúdo e incluiu o ensino de dança moderna, com aulas da coreógrafa ítalo-brasileira Eva Schul. A partir dos anos 1980, a escola incorporou a dança contemporânea e fortaleceu a participação em montagens com o Balé Teatro Guaíra.

Nos anos seguintes, projetos como o Pré-Profissional, criado por Carla Reinecke, e o Dança Masculina ampliaram o alcance da formação. Alunos passaram a circular por mostras e festivais dentro e fora do Paraná, com direito a bolsas no exterior, como em Nova York. A escola também celebrou marcos como os 50 anos, em 2006, e os 60 anos, em 2016, quando apresentou "A Bela e a Fera" para mais de 40 mil espectadores.

Durante a pandemia de Covid-19, em 2020, a EDTG adaptou as atividades pedagógicas para o ambiente virtual e realizou mais de 900 aulas on-line, mantendo o trabalho de forma ininterrupta e alcançando mais de 28 mil visualizações nas redes sociais. Após atuar em companhias de dança no exterior, a curitibana Larissa Pansera assumiu a coordenação com a missão de aproximar ainda mais a produção artística da escola do público, especialmente por meio do projeto Guaíra para Todos.