Um estudo internacional publicado recentemente indica que motoristas costumam deixar o volante por volta dos 75 anos, mas especialistas ressaltam que a decisão deve considerar sinais clínicos e emocionais, e não apenas a idade cronológica.
A pesquisa, realizada com condutores mais velhos em diferentes países, aponta que a idade média de retirada definitiva da habilitação gira em torno dos 75 anos. Segundo o levantamento, não há um marco oficial, e sim uma tendência observada.
O estudo mostra ainda que, em 45% dos casos, a família sugere que o motorista pare de dirigir, enquanto 41% dos entrevistados tomam a iniciativa após receber diagnóstico médico que compromete a segurança no trânsito.
Na avaliação de especialistas, esses dados reforçam que a decisão precisa ser individualizada, levando em conta reflexos, atenção, memória e doenças associadas a cada pessoa. Por isso, eles defendem acompanhamento periódico ao longo do envelhecimento.
Renovação da CNH fica mais frequente
No Brasil, o Código de Trânsito Brasileiro não estabelece uma idade máxima para dirigir, mas reduz os prazos de renovação da Carteira Nacional de Habilitação conforme o condutor envelhece, para permitir monitoramento mais próximo de suas condições.
Até os 50 anos, a validade da CNH é de 10 anos. Dos 50 aos 70 anos, o documento deve ser renovado a cada 5 anos. A partir dos 70, a renovação passa a ser obrigatória a cada 3 anos.
Nesses exames, médicos e psicólogos avaliam visão, audição, capacidade motora, raciocínio e outras funções. A intenção, de acordo com especialistas em trânsito, é identificar se o condutor ainda reage a imprevistos com rapidez e segurança.
Sinais de que é hora de deixar o volante
Problemas de visão, como catarata ou perda de campo visual, dificuldades de locomoção, uso de múltiplos medicamentos e lapsos de memória aparecem entre os principais alertas. Para geriatras, esses sinais exigem revisão imediata do hábito de dirigir.
Em muitos casos, médicos recomendam que o idoso reduza trajetos ou abandone totalmente o volante antes mesmo de qualquer acidente, como forma de prevenção. A orientação pode incluir limitar a direção a horários diurnos ou vias mais tranquilas.
Autonomia, diálogo e apoio da família
Psicólogos e geriatras lembram que o carro representa, para muitos idosos, autonomia e liberdade de ir e vir. Por isso, eles defendem que a transição seja dialogada e gradual, com explicações claras sobre riscos e alternativas de mobilidade.
Reportagem do Jornal da Band mostrou o caso de Arlete, que deixou de dirigir por recomendação médica. A sobrinha assumiu o papel de motorista da família, o que, segundo os profissionais ouvidos, ajuda a preservar a rotina da tia sem comprometer a segurança no trânsito.
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