A construção civil no Paraná mantém ritmo forte e projeta expansão ao longo de 2026, mas empresários afirmam que a falta de mão de obra qualificada já atrasa obras e encarece projetos em todo o estado.
Nos canteiros de obras, o movimento é intenso, com novos empreendimentos residenciais e de infraestrutura saindo do papel. Ao mesmo tempo, muitas construtoras relatam dificuldade para montar equipes completas e acompanhar o ritmo das contratações.
Levantamentos do setor indicam que mais de 70% das empresas paranaenses enfrentam problemas para contratar trabalhadores. A escassez de profissionais leva companhias a estender prazos de entrega para evitar multas contratuais e organizar o cronograma de acordo com a mão de obra disponível.
Na avaliação de empresários ouvidos pela reportagem, a falta de trabalhadores limita o potencial de crescimento da construção civil no estado e reduz a capacidade de abertura de novos canteiros.
Obras mais caras com pressão sobre salários
O desequilíbrio entre oferta e demanda por profissionais também pressiona os custos. Em janeiro de 2025, o custo médio da mão de obra na construção civil no Paraná girava em torno de R$ 1.752 por metro quadrado. Um ano depois, esse valor subiu para aproximadamente R$ 1.844, alta superior a 5% em 12 meses.
Empresas do setor afirmam que, sem trabalhadores suficientes e qualificados, aumenta o risco de retrabalho, desperdício de materiais e atrasos sucessivos no cronograma, o que se reflete diretamente no preço final das obras.
Entre os profissionais mais difíceis de encontrar estão pedreiros, serventes, operadores de máquinas, mestres de obra e encarregados, sobretudo aqueles com experiência e formação técnica específica.
Qualificação vira prioridade nas construtoras
Outro desafio recorrente é justamente a qualificação. Além de preencher vagas, as empresas buscam funcionários preparados para funções mais técnicas, capazes de operar equipamentos, interpretar projetos e liderar equipes em campo.
Entre os executivos que acompanham de perto o problema está o CEO do Grupo Hestia, Gustavo Selig, ouvido pela reportagem em meio ao aumento da demanda por novas obras no estado.
Cursos e benefícios para atrair novos trabalhadores
Para tentar reduzir o déficit de profissionais, entidades da construção civil se unem a instituições de ensino técnico em programas de capacitação. Essas parcerias devem abrir mais de 6 mil vagas de formação no Paraná ao longo deste ano.
Outra frente é o investimento em melhores condições de trabalho, salários mais competitivos e benefícios nos canteiros, numa tentativa de reter os trabalhadores e diminuir a rotatividade.
Com obras em expansão e novas oportunidades surgindo, a construção civil segue como uma das principais portas de entrada para o mercado de trabalho. O desafio, segundo empresários, é acelerar a formação de profissionais qualificados para que a falta de mão de obra não comprometa o desenvolvimento dos projetos e o crescimento do setor no estado.
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