Band Paraná

Falta de vagas em hospitais deixa ambulâncias paradas em Curitiba

Acidentados chegam a esperar horas dentro de veículos do Siate à espera de leitos pelo SUS

João Frigério
JOÃO FRIGÉRIO

07/04/2026 • 18:16 • Atualizado em 07/04/2026 • 18:16

Ambulâncias do Siate enfrentaram dificuldades para concluir atendimentos nesta terça-feira (7), em Curitiba, por falta de vagas em hospitais da rede pública. Casos que aconteceram nos Hospitais do Trabalhador e Cajuru. A alta demanda por leitos gerou filas e atrasos na liberação de pacientes, que permaneceram por longo tempo dentro dos veículos de urgência e emergência.

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Filas e ambulâncias paradas

A reportagem da Band registrou casos de vítimas de acidente que aguardaram horas até conseguir uma vaga hospitalar. Em um dos atendimentos, iniciado por volta das 8h30, o paciente ainda esperava dentro da ambulância próximo ao meio-dia.

Segundo profissionais ouvidos pela reportagem, os acidentes aumentaram nos últimos meses, enquanto a oferta de leitos não acompanhou o crescimento da demanda. Essa combinação pressiona o atendimento pré-hospitalar e retém equipes e viaturas que poderiam ser direcionadas a novas ocorrências.

A situação afeta diretamente o tempo de resposta do socorro e amplia o risco para pacientes em estado delicado, que dependem de estabilização rápida em ambiente hospitalar.

'Vaga zero' e pressão sobre a rede

A chamada “vaga zero” tem se tornado mais frequente por causa da alta demanda de acidentes. O mecanismo é acionado quando não há leitos disponíveis, mas o atendimento precisa ser realizado, o que sobrecarrega a estrutura já no limite da capacidade.

As vagas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Curitiba seguem um modelo de regulação hierarquizada. O acesso é organizado conforme a gravidade do caso e a ordem de chegada, com prioridade para os pacientes mais críticos.

Esse processo é centralizado pela Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba e integrado ao sistema estadual, que auxilia na busca por leitos em diferentes unidades hospitalares.

Apelo por redução de acidentes

Em fevereiro, um médico do Siate já havia feito um apelo público para a redução dos acidentes, especialmente de trânsito. Na avaliação do profissional, muitos atendimentos poderiam ser evitados.

De acordo com esse médico, boa parte das ocorrências tem ligação com o consumo de álcool, em especial de cerveja, o que agrava o cenário de superlotação. Ele defende que ações de conscientização e fiscalização mais rigorosa podem ajudar a reduzir o número de vítimas e aliviar a pressão sobre o SUS.

Nota Secretaria de Saúde do Paraná

O Hospital do Trabalhador é referência no atendimento de urgência e emergência para Curitiba e Região Metropolitana, atendendo tanto casos de demanda espontânea quanto ocorrências encaminhadas pelo Samu e pelo Siate.

A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) informa que, em períodos de maior fluxo nos hospitais da região que contam com pronto-socorro, é possível que ocorram aumentos pontuais no tempo de espera em razão da alta demanda.

No entanto, não há qualquer paralisação no atendimento do Hospital do Trabalhador, unidade vinculada à Sesa.

O atendimento de urgência e emergência segue critérios de classificação de risco, priorizando os casos mais graves. Na manhã de hoje, o hospital recebeu dois pacientes em estado gravíssimo, com risco de morte, o que demandou prioridade imediata no atendimento, conforme os protocolos de regulação.

Nota Secretaria de Saúde de Curitiba

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Curitiba informa que, neste momento, a situação está normalizada nos prontos-socorros dos hospitais da cidade e não há ambulâncias paradas em portas hospitalares.

Nesta terça-feira (7/4), houve pontualmente aumento da demanda nos pronto-atendimentos do Hospital do Trabalhador, entre 12h30 e 14h30, e no Hospital Cajuru, às 13h30. O aumento foi ocasionado por ocorrências concomitantes atendidas pelo Samu, Siate, tanto com casos clínicos e de trauma, que deram entrada no mesmo momento. A demanda foi rapidamente absorvida pelos prontos-atendimentos e sanada.

Importante esclarecer que os prontos-socorros dos hospitais trabalham com critérios de classificação de risco, priorizando o atendimento dos casos mais graves primeiro.

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