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Gaeco faz operação contra presidente da Câmara de Curitiba

Tico Kuzma é investigado por suposto esquema de cobrança em nomeações no Executivo; mais de R$ 37 mil foram apreendidos

Bárbara Hammes
BÁRBARA HAMMES

29/06/2026 • 12:52 • Atualizado em 29/06/2026 • 12:55

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná cumpriu mandados de busca e apreensão contra o presidente da Câmara Municipal de Curitiba, vereador Tico Kuzma, na manhã desta segunda-feira (29), em investigação sobre suposto esquema de rachadinha e venda de cargos em comissão na estrutura do Poder Executivo da capital paranaense.

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Segundo a apuração, Kuzma é o segundo parlamentar da Casa a se tornar alvo de ordens judiciais por suspeita do mesmo tipo de prática em um intervalo de um mês.

Mandados e apreensões

Os mandados foram cumpridos logo no início da manhã, incluindo buscas no gabinete de Tico Kuzma e na presidência da Câmara Municipal de Curitiba. Equipes também estiveram em endereços ligados a servidores e assessores que atuam no Legislativo.

Na ação, os investigadores apreenderam equipamentos eletrônicos, documentos e mais de R$ 37 mil em dinheiro em espécie, de acordo com o Gaeco.

Conforme relata a promotora Nicole Pilagalo, foram recolhidos celulares, computadores, anotações que ainda serão analisadas, além de dinheiro em espécie encontrado na casa de um servidor.

Suspeita de venda de cargos e rachadinha

De acordo com o Gaeco, as investigações começaram há mais de um ano, a partir de uma denúncia sobre possível esquema de venda de cargos na estrutura do Poder Executivo municipal.

Para a promotora Nicole Gonçalves, o caso envolve a utilização de cargos em comissão sob influência do vereador.

Segundo ela, o vereador possuía cargos à sua disposição no Executivo municipal e, para nomear pessoas indicadas para essas funções, fazia a cobrança de até R$ 3 mil por vaga. Após a nomeação, haveria uma contraprestação mensal ao vereador, enquadrada nos moldes tradicionais da chamada rachadinha.

Reação de Tico Kuzma e posição da Câmara

Após a operação, Tico Kuzma participou da sessão plenária desta segunda-feira e se manifestou sobre as buscas.

Ele afirmou, com serenidade, que naquele momento ainda não tinha conhecimento formal sobre a investigação e disse estar em busca de informações junto às autoridades competentes.

Na mesma sessão, o presidente da Câmara declarou que qualquer pessoa na vida pública, em período eleitoral, se torna alvo de quem tenta derrubá-la. Kuzma disse acreditar em valores cristãos, transparência e ética, e afirmou manter postura de respeito a Curitiba e aos eleitores que confiaram nele.

Vereador desde 2005, Tico Kuzma cumpre seu sexto mandato na Câmara Municipal de Curitiba e assumiu a presidência da Casa pela segunda vez no ano passado.

Em nota, a Câmara informou ter autorizado o acesso das autoridades às dependências do Legislativo e declarou colaborar com as investigações e os esclarecimentos necessários. A instituição acrescentou que ainda não foi comunicada oficialmente sobre os fatos que motivaram a operação.

Nota da Prefeitura de Curitiba

A Prefeitura de Curitiba também divulgou comunicado em que se coloca à disposição das autoridades para prestar todas as informações necessárias e colaborar integralmente com as investigações.

Segundo a nota, as nomeações para cargos em comissão no Poder Executivo seguem critérios técnicos e administrativos, voltados às necessidades da gestão pública, e não há tolerância com condutas que desvirtuem esse processo.

O texto afirma ainda que, confirmada qualquer irregularidade envolvendo servidores municipais, a administração determinará o imediato afastamento dos envolvidos e adotará todas as medidas administrativas e legais cabíveis, com rigor e respeito ao devido processo legal.