A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), ligada ao Ministério da Saúde, aprovou a inclusão, na rede pública, de um exame genético mais moderno para detectar alterações associadas ao câncer de mama, antes disponível apenas para pacientes com planos de saúde.
O teste, conhecido como sequenciamento de nova geração, já é oferecido há mais de 30 anos na rede privada e agora deverá integrar a rotina do SUS. A oferta ainda depende da publicação de uma portaria no Diário Oficial da União e da organização dos serviços para realizar o exame.
Exame muda rotina de famílias de alto risco
Aos 23 anos, a advogada Tayná Machado descobriu um tumor de mama e, após o tratamento, recorreu ao sequenciamento de nova geração para saber se a doença tinha componente hereditário. O resultado negativo trouxe alívio para ela e para os familiares mais próximos.
"Fiquei muito feliz porque soube que meus parentes diretos não teriam um risco maior de desenvolver a doença, que era algo só meu", relata Tayná.
Como funciona o sequenciamento de nova geração
O sequenciamento de nova geração permite analisar, de forma simultânea e em larga escala, milhões de fragmentos de DNA. Especialistas comparam as sequências obtidas com padrões de referência, o que possibilita identificar mutações genéticas relacionadas ao desenvolvimento de tumores de mama e de ovário.
Quando o exame aponta uma alteração, médicos podem propor estratégias personalizadas de redução de risco e acompanhamento intensivo. Em alguns casos, a recomendação inclui cirurgias preventivas, como:
- Mastectomia preventiva, com retirada de uma ou ambas as mamas;
- Salpingo-ooforectomia, com remoção de trompas de falópio e ovários.
Impacto no diagnóstico e na prevenção
Ainda não há prazo definido para o início da oferta do sequenciamento genético pelo SUS. Para especialistas em genética, quando o teste estiver disponível, ele poderá ajudar a identificar tumores em estágios iniciais e orientar condutas de prevenção antes mesmo do aparecimento da doença.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar, este ano, mais de 78 mil novos casos de câncer de mama e entre 7 mil e 8 mil novos diagnósticos de câncer de ovário, números que reforçam a importância do rastreamento em grupos de risco.
Para o médico geneticista Salmo Raskin, o acesso ao sequenciamento na rede pública pode mudar o acompanhamento de famílias com histórico da doença.
"Quando o teste vem positivo, entendemos que há uma predisposição genética na família. Isso não quer dizer que a pessoa terá câncer, mas permite iniciar um tratamento preventivo mais cedo, com mais acompanhamento. E, se o tumor for descoberto cedo, as chances de cura são muito maiores", explica Raskin.
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