Band Paraná

Governo aprova exame genético para câncer de mama no SUS

Sequenciamento de nova geração identifica mutações hereditárias e orienta cirurgias preventivas

Rodrigo Leite
RODRIGO LEITE

16/04/2026 • 14:19 • Atualizado em 16/04/2026 • 14:19

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), ligada ao Ministério da Saúde, aprovou a inclusão, na rede pública, de um exame genético mais moderno para detectar alterações associadas ao câncer de mama, antes disponível apenas para pacientes com planos de saúde.

Compartilhar

O teste, conhecido como sequenciamento de nova geração, já é oferecido há mais de 30 anos na rede privada e agora deverá integrar a rotina do SUS. A oferta ainda depende da publicação de uma portaria no Diário Oficial da União e da organização dos serviços para realizar o exame.

Exame muda rotina de famílias de alto risco

Aos 23 anos, a advogada Tayná Machado descobriu um tumor de mama e, após o tratamento, recorreu ao sequenciamento de nova geração para saber se a doença tinha componente hereditário. O resultado negativo trouxe alívio para ela e para os familiares mais próximos.

"Fiquei muito feliz porque soube que meus parentes diretos não teriam um risco maior de desenvolver a doença, que era algo só meu", relata Tayná.

Como funciona o sequenciamento de nova geração

O sequenciamento de nova geração permite analisar, de forma simultânea e em larga escala, milhões de fragmentos de DNA. Especialistas comparam as sequências obtidas com padrões de referência, o que possibilita identificar mutações genéticas relacionadas ao desenvolvimento de tumores de mama e de ovário.

Quando o exame aponta uma alteração, médicos podem propor estratégias personalizadas de redução de risco e acompanhamento intensivo. Em alguns casos, a recomendação inclui cirurgias preventivas, como:

  • Mastectomia preventiva, com retirada de uma ou ambas as mamas;
  • Salpingo-ooforectomia, com remoção de trompas de falópio e ovários.

Impacto no diagnóstico e na prevenção

Ainda não há prazo definido para o início da oferta do sequenciamento genético pelo SUS. Para especialistas em genética, quando o teste estiver disponível, ele poderá ajudar a identificar tumores em estágios iniciais e orientar condutas de prevenção antes mesmo do aparecimento da doença.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar, este ano, mais de 78 mil novos casos de câncer de mama e entre 7 mil e 8 mil novos diagnósticos de câncer de ovário, números que reforçam a importância do rastreamento em grupos de risco.

Para o médico geneticista Salmo Raskin, o acesso ao sequenciamento na rede pública pode mudar o acompanhamento de famílias com histórico da doença.

"Quando o teste vem positivo, entendemos que há uma predisposição genética na família. Isso não quer dizer que a pessoa terá câncer, mas permite iniciar um tratamento preventivo mais cedo, com mais acompanhamento. E, se o tumor for descoberto cedo, as chances de cura são muito maiores", explica Raskin.