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Guerra no Oriente Médio pressiona petróleo; Petrobras segura

Fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã eleva barril acima de US$ 100, mas estatal ainda não repassou alta às bombas

Bárbara Hammes
BÁRBARA HAMMES

10/03/2026 • 13:54 • Atualizado em 10/03/2026 • 13:54

A guerra deflagrada após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, iniciada em 28 de fevereiro, já pressiona o preço internacional do petróleo, mas a Petrobras ainda não repassou o impacto para o valor da gasolina nas refinarias brasileiras.

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Alta do petróleo após fechamento de Ormuz

No mercado internacional, o barril de petróleo disparou e voltou a superar a marca de 100 dólares, patamar que não se via desde 2022. A escalada começou logo após o início dos bombardeios ao território iraniano e ganhou força com o agravamento do conflito no Oriente Médio.

Um dos fatores que mais preocupam os investidores é o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, em resposta aos ataques. A rota é uma das mais estratégicas do mundo e concentra o escoamento de cerca de 20% de todo o petróleo consumido globalmente. Com menos oferta disponível e risco elevado na região, o mercado passa a cobrar um prêmio maior pelo barril.

Por que o conflito afeta o preço da gasolina

Economistas lembram que o Irã está entre os grandes produtores e exportadores de petróleo. Quando há ameaça de interrupção das vendas do país ou das rotas por onde o produto circula, a expectativa de escassez faz o preço subir mesmo antes de faltar combustível de fato.

Além da oferta menor, o clima de incerteza costuma fortalecer o dólar em relação a outras moedas. Como o petróleo é negociado em dólar, uma valorização da moeda norte-americana encarece ainda mais o produto para países importadores, como o Brasil, ampliando a pressão sobre a gasolina.

Pressão sobre a Petrobras e possível reajuste

No Brasil, porém, a Petrobras ainda não ajustou o valor da gasolina nas refinarias, o que tem segurado os preços nas bombas. Na avaliação da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o cenário já justificaria um aumento de 1,22 real por litro para alinhar o mercado interno à cotação internacional.

Segundo a entidade, se o atual patamar do petróleo se mantiver, a estatal terá dificuldade para segurar os preços por muito tempo. A Petrobras é a principal fornecedora de combustíveis do país e, por isso, tem papel central na formação dos valores que chegam aos postos. A política de preços leva em conta o custo do petróleo, o câmbio e a concorrência com importadores privados.

Impacto no bolso e como o consumidor pode se planejar

Analistas do setor de energia avaliam que, mantidas as condições atuais, um reajuste pode ocorrer nos próximos dias. Eles afirmam que, diante dessa possibilidade, motoristas devem se preparar para um combustível mais caro no curto prazo.

Especialistas em finanças pessoais recomendam que, quem tiver espaço no orçamento, organize os gastos e, se possível, antecipe o abastecimento do veículo, além de rever trajetos, combinar caronas e considerar o uso maior de transporte público. A avaliação é que, caso o conflito se prolongue, os efeitos podem se estender também ao diesel e ao gás de cozinha, com impacto direto no custo de vida das famílias.