A intenção de compra de eletrodomésticos e eletrônicos aumentou em maio entre as famílias brasileiras, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice que mede o apetite por bens duráveis registrou a sétima alta mensal consecutiva e alcançou o maior patamar desde março de 2015.
Sétima alta seguida e maior nível desde 2015
De acordo com a CNC, o momento é favorável para os chamados bens duráveis porque mais famílias declararam ter planos de adquirir esse tipo de produto. Em maio, houve avanço tanto em relação a abril quanto na comparação com o mesmo mês de 2023, com aumento superior a 18% no indicador.
A pesquisa mostra que o desempenho reflete, principalmente, a inflação mais baixa para eletrodomésticos e eletrônicos nos últimos meses. A combinação de preços mais comportados com a melhora gradual das condições do mercado de trabalho ampliou o espaço no orçamento para compras de maior valor.
Emprego estável incentiva consumo
Para a economista da CNC Catarina Carneiro, a estabilidade do emprego tem sido um fator decisivo para destravar o consumo de bens duráveis.
"A estabilidade do emprego faz com que as pessoas acreditem que vão se manter no trabalho, e isso tem sido positivo para a intenção de compra de eletrodomésticos e eletrônicos", afirma Catarina.
Na avaliação da economista, quando o consumidor se sente mais seguro em relação à renda futura, ele se dispõe a assumir compromissos de prazo mais longo, como o parcelamento de televisores, geladeiras e outros equipamentos.
Renda média puxa alta, mas juros ainda pesam
O levantamento da CNC também indica que o fôlego do comércio, na comparação anual, vem principalmente das famílias com renda de até dez salários mínimos. Esse grupo respondeu pela maior parte do incremento na intenção de compra em maio.
Mesmo com o cenário mais favorável, os juros elevados ainda levam os brasileiros a agir com cautela, aponta a CNC. Muitas famílias avaliam com mais rigor o impacto das parcelas no orçamento antes de fechar novas compras.
Perspectivas para os próximos meses
Segundo Catarina Carneiro, a expectativa é de que o ambiente continue favorável às vendas de bens duráveis, caso se mantenham a inflação mais baixa para o setor e a estabilidade no mercado de trabalho.
"Nossa expectativa é que esse cenário se mantenha favorável nos próximos meses, mesmo com os juros ainda elevados, porque as famílias estão mais confiantes, mas continuam cautelosas", projeta a economista da CNC.
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