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Juízes sofrem ataques racistas em transmissão do TJ do Paraná

Perfis falsos no YouTube ofenderam magistrados ligados ao STF e ao CNJ; Polícia Civil apura caso e Judiciário promete responsabilização

Bárbara Hammes
BÁRBARA HAMMES

24/03/2026 • 13:47 • Atualizado em 24/03/2026 • 13:47

Dois magistrados sofreram ataques racistas durante uma transmissão ao vivo no canal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) no YouTube, na última quarta-feira, enquanto participavam de um evento sobre combate à violência contra a mulher. A Polícia Civil investiga o caso, cometido por usuários que utilizaram perfis falsos.

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A live discutia ações de enfrentamento à violência contra a mulher quando comentários racistas começaram a surgir no chat da plataforma. Em uma das mensagens, um usuário escreveu: “como que tira esse ponto preto da tela”. Outro perfil utilizou nome e foto do bilionário Jeffrey Epstein, acusado de tráfico sexual de crianças e adolescentes, para fazer novos ataques.

Quem são as vítimas

As ofensas tiveram como alvo a juíza auxiliar Franciele Pereira do Nascimento, da Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), e o conselheiro Fábio Francisco Esteves, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os dois participavam da transmissão representando as respectivas instituições.

Os autores das mensagens ainda não foram identificados. O episódio ocorreu no canal oficial do TJPR, que registrou o caso e acionou as autoridades competentes para a apuração.

Investigação e reação do TJPR

Em comunicado, o Tribunal de Justiça do Paraná afirmou que adotou medidas em conjunto com o STF e o CNJ para identificar e responsabilizar os responsáveis pelos ataques. A Corte destacou que acompanhará as investigações.

“A gravidade do ocorrido aumenta quando consideramos o contexto em que se deu”, afirmou a presidente do TJPR, desembargadora Lidia Maejima. “O Tribunal de Justiça do Paraná não deixará margem para ambiguidades ao tratar desse episódio.”

‘Racismo é crime inafiançável’, diz presidente do TJ

Na mesma manifestação, Maejima reforçou o caráter criminal das ofensas e vinculou o combate ao racismo à própria base do sistema democrático.

“O racismo é crime inafiançável. Não são aspirações, são fundamentos do Estado Democrático de Direito”, declarou a presidente do TJPR. “Este órgão expressa solidariedade irrestrita às vítimas. Trata-se de agressão à Justiça e a todos que nela confiam.”

STF e CNJ repudiam ataques

Em nota conjunta, o Supremo Tribunal Federal e o Conselho Nacional de Justiça também repudiaram os ataques e classificaram o episódio como “absolutamente intolerável”. As instituições defenderam a apuração rigorosa dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, reforçando o compromisso do Judiciário no enfrentamento ao racismo.