
Com La Niña, verão 2025/2026 foi marcado por chuvas irregulares e temperatura de 39,7°C
Foto: José Fernando Ogura/Arquivo AEN
O verão 2025/2026 no Paraná teve chuvas irregulares e abaixo da média, avanço da seca em várias regiões e episódios de tempo severo, como três tornados, seis nuvens funil e uma tromba d’água, segundo balanço apresentado nesta quarta-feira (18) pelo Simepar e pela Coordenação Estadual de Defesa Civil (Cedec).
De acordo com o meteorologista Reinaldo Kneib, do Simepar, a atuação do fenômeno La Niña reduziu o transporte de umidade da Amazônia para o Sul do Brasil, o que diminuiu a frequência dos sistemas de precipitação sobre o Estado e favoreceu a presença de massas de ar mais seco em pleno período chuvoso.
Chuvas irregulares e impacto no campo
A falta de chuva regular já provocava seca fraca em áreas do Sudoeste e do Centro do Paraná em janeiro e, ao longo do verão, a condição avançou para o Oeste e atingiu parte do Sudoeste e do Noroeste, incluindo municípios como Cianorte e Campo Mourão.
A plataforma de inteligência agroclimática Simeagro, do Simepar, apontou crescimento não satisfatório do milho em diversas cidades do Oeste, como São Miguel do Iguaçu, Medianeira, Foz do Iguaçu e Santa Helena, em razão do estresse hídrico causado pela ausência de volumes de chuva suficientes para a cultura.
Fenômenos severos e tornados
Embora tenha chovido com menos frequência, os episódios de precipitação ocorreram com maior intensidade. Tempestades supercelulares desencadearam três tornados no período, além das seis ocorrências de nuvem funil e de uma tromba d’água registradas pelo Simepar.
No dia 1º de janeiro, por volta das 19h, um tornado de categoria F1 na escala Fujita atingiu a comunidade de Arroio Guaçu, em Mercedes, com danos pontuais em vegetação e em uma propriedade, sem feridos. Já em 10 de janeiro, por volta das 17h30, um tornado classificado como F2 afetou São José dos Pinhais, danificou cerca de 350 residências, impactou mais de 1,2 mil pessoas e deixou duas pessoas levemente feridas.
O terceiro tornado ocorreu em 7 de fevereiro, às 14h, em Foz do Iguaçu, e recebeu classificação F0, com apenas uma propriedade atingida. Entre janeiro e fevereiro, o Simepar ainda registrou seis casos de nuvem funil em municípios como Ponta Grossa, Paulo Frontin, São Jorge do Ivaí, Arapongas, Santo Antônio do Caiuá e Ipiranga, além de uma tromba d’água em Missal, em 13 de fevereiro.
Defesa Civil reforça monitoramento no Litoral
Levantamento da Cedec indica 91 ocorrências em 67 municípios paranaenses durante o verão, sendo 46 episódios de tempestades e vendavais, 19 casos de alagamentos e sete enxurradas, associados a grandes volumes de chuva concentrados em curto período.
Região com maior acúmulo de precipitação na estação, o Litoral recebeu operação especial. Uma força-tarefa da Cedec atuou em posto avançado em Pontal do Paraná, entre dezembro e fevereiro, com equipe técnica acompanhando em tempo real as condições meteorológicas para emitir avisos à população e acionar a defesa civil municipal quando necessário.
"Pelo segundo ano atuamos de maneira contínua no litoral. Com ajuda do sistema desenvolvido pelo Simepar pudemos assegurar a segurança das pessoas, principalmente na faixa de areia, área de grande concentração de público e de maior risco pelas tempestades de raios muito comuns na estação", afirma o coronel Ivan Fernandes, coordenador executivo da Cedec.
O Centro Estadual de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cegerd) emitiu 966 alertas no verão 2025/2026, dos quais 24 de risco muito alto, principalmente para municípios litorâneos como Paranaguá, Matinhos e Pontal do Paraná, em situações de formação de tempestades com raios.
"Os alertas são uma ferramenta essencial de comunicação para a Defesa Civil. Assim que identificamos o ganho de escala de uma situação adversa, iniciamos a emissão de avisos de risco moderado, alto ou muito alto. Neste verão percebemos que a população tem atendido às orientações, o que certamente diminuiu a exposição", completa Fernandes.
Calor acima da média e recordes de temperatura
A temperatura mais alta de 2026 até esta quarta-feira (18) foi de 39,7°C, registrada às 16h de 6 de fevereiro na estação do Simepar em Capanema. Já a mínima do ano até o momento foi de 8°C, às 11h de 14 de março, em General Carneiro.
O calor também quebrou marcas históricas. Em Telêmaco Borba, a estação meteorológica registrou 38°C em 26 de dezembro, o maior valor desde o início das medições locais, em 1997. Entre 22 e 28 de dezembro, as temperaturas ficaram bem acima da média no Litoral, na Grande Curitiba e nos Campos Gerais, enquanto no Norte do Paraná ficaram de 3°C a 4°C acima do padrão climatológico.
De forma geral, as temperaturas mínimas, normalmente observadas ao amanhecer, ficaram dentro da média em todas as regiões. As máximas, registradas à tarde, superaram os valores históricos principalmente no Oeste, Sudoeste e região central, e a temperatura média do trimestre permaneceu próxima da normal climatológica na maior parte do Estado, com exceção dos extremos Sudoeste e Oeste, onde ficou acima da média.
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