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Maioria dos acidentes no Pico do Marumbi ocorre fora da temporada

Levantamento aponta que 75% das ocorrências acontecem entre outubro e maio, período mais quente e chuvoso do Litoral.

Da redação
DA REDAÇÃO

08/10/2025 • 14:12 • Atualizado em 08/10/2025 • 14:12

IAT reforça alerta para evitar “temporada de resgastes” nas montanhas do Marumbi

IAT reforça alerta para evitar “temporada de resgastes” nas montanhas do Marumbi

Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST-PR

Um levantamento divulgado pelo Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo) acendeu o alerta sobre o aumento de acidentes nas trilhas do Parque Estadual Pico do Marumbi, no Litoral do Paraná. Segundo os dados, 75% das ocorrências registradas na unidade de conservação acontecem entre outubro e maio, período de calor intenso e chuvas frequentes — quando o número de visitantes iniciantes também é maior.

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Chuvas, calor e falta de preparo

O estudo, realizado com base em registros de 41 mil visitantes entre 2002 e 2018 e publicado pela plataforma SciELO Brasil, mostra que 58% dos incidentes estão ligados a cansaço, desidratação ou atrasos, enquanto 39% envolvem quedas ou fraturas.As trilhas mais procuradas — Rochedinho, Olimpo e Abrolhos — concentram a maioria dos casos. Juntas, respondem por mais de 60% das ocorrências.

De acordo com Caius Marcellus Ferreira, coordenador de Comunicação do Cosmo, o período fora da chamada “temporada de montanha” exige mais atenção.

“Quando termina a temporada de montanha, começa a temporada de resgates. O número de atendimentos cresce justamente porque o público é menos preparado e enfrenta condições mais adversas”, afirma.

Fatores que levam aos acidentes

Segundo Ferreira, seis em cada dez resgates são motivados por falta de preparo físico, planejamento inadequado ou desconhecimento do terreno.“Cansaço e desidratação comprometem o julgamento, e isso leva a decisões arriscadas. Planejamento e hidratação são essenciais, especialmente fora da temporada”, explica.

O Cosmo recomenda o uso de equipamentos adequados, como calçados fechados, perneiras e lanternas com pilhas sobressalentes, além do cadastro obrigatório com destino detalhado da trilha.O horário limite de entrada é 9h da manhã. Alterações de rota sem comunicação prévia são consideradas infração.

Como funcionam os resgates

Nos casos de emergência, um plantonista do Cosmo — conhecido como “coelho” — é designado para o resgate, levando mochila de primeiros socorros, hidratação e equipamentos de descida assistida.Quando há ferimentos graves, o Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas (BPMOA) pode atuar com helicóptero, desde que o clima permita.Se o resgate aéreo não é possível, a operação por terra pode durar até dez horas de descida com maca, dependendo do local do incidente.

Segurança e protocolos

O chefe do Parque Estadual Pico do Marumbi, Gabriel Camargo Macedo, reforça que o cadastro e o termo de risco são medidas de segurança essenciais.

“Esses protocolos garantem que, em caso de emergência, o visitante esteja identificado e acompanhado por uma equipe preparada”, destaca.

O parque

Com 8,7 mil hectares de área, o Pico do Marumbi é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral. Além das trilhas desafiadoras, o local abriga trechos da Ferrovia Paranaguá-Curitiba, as estações históricas Marumbi e Engenheiro Lange, e atrativos naturais como o Salto dos Macacos e o Caminho do Itupava.