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Mesmo com desemprego baixo, consumo recua no Paraná

Renda apertada, poucos benefícios e crédito restrito freiam intenção de compras no Estado

Da redação
DA REDAÇÃO

03/04/2026 • 14:30 • Atualizado em 03/04/2026 • 14:30

Consumidores do Paraná têm segurado as compras, especialmente de itens de maior valor, mesmo com a taxa de desemprego em queda no Estado. Nas ruas de Curitiba, a cautela aparece nas vitrines mais vazias e no adiamento de decisões de consumo ao longo dos últimos meses.

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Desemprego em queda, consumo contido

Na capital paranaense, é difícil encontrar quem esteja disposto a assumir financiamentos longos ou prestações altas, principalmente para a compra de casa e carro. O cenário contrasta com o mercado de trabalho, que apresenta taxa de desemprego em baixa, mas não tem se traduzido em aumento proporcional das vendas.

Segundo especialistas, fatores como salários mais baixos, falta de benefícios e dificuldades para obter crédito ajudam a explicar o pé no freio do consumo. Mesmo empregados, muitos trabalhadores têm renda apertada, comprometida com gastos básicos e dívidas antigas, o que reduz a margem para novas compras.

Intenção de compra abaixo do nível de confiança

Levantamento citado pela Fecomércio PR mostra que o índice de intenção de compra no Paraná cresceu de forma moderada nos últimos meses, chegando a 96,3 pontos. Apesar da alta, o número ainda fica abaixo do nível considerado de confiança para consumir: para que haja otimismo mais claro, o indicador precisa superar a marca de 100 pontos.

Na avaliação de Lucas Dezordi, assessor econômico da Fecomércio PR, o avanço do indicador revela uma ligeira melhora na percepção das famílias, mas não o suficiente para destravar plenamente o consumo. Ele aponta que a combinação de renda limitada, encarecimento do crédito e incertezas sobre o orçamento doméstico mantém o consumidor em compasso de espera.

Comércio aposta em datas e preços menores

Para o varejo, a orientação é buscar oportunidades em datas comemorativas, como Páscoa, Dia das Mães e Dia dos Namorados, quando o apelo emocional tende a estimular algum aumento nas vendas. Nessas ocasiões, promoções e condições especiais podem fazer diferença.

De acordo com Dezordi, oferecer o menor preço possível e negociar prazos são estratégias fundamentais em um momento de cautela. Ele ressalta que, quando não se sente seguro, o consumidor tende a pesquisar mais, comparar valores e adiar compras maiores, o que obriga o comércio a ser mais agressivo na política de preços para conquistar o cliente.

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