
Câmara de Curitiba lamenta morte da ex-vereadora Arlete Caramês
Foto: Arquivo
A Câmara Municipal de Curitiba informou nesta terça-feira (24) a morte de Arlete Caramês, ex-vereadora da capital paranaense e ativista na defesa de crianças e adolescentes desaparecidos, aos 82 anos de idade.
Arlete exerceu mandato na 13ª Legislatura (2001-2002) da Câmara de Curitiba e deixou o cargo em 2002 para assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Natural de Porto União (SC), era bancária de profissão.
Ela ingressou na vida pública após o desaparecimento do filho, Guilherme Caramês Tiburtius, em 1991, aos oito anos, no bairro Jardim Social, em Curitiba. O caso ganhou repercussão nacional e permanece sem solução.
Homenagens na Câmara de Curitiba
O presidente da Câmara Municipal de Curitiba, vereador Tico Kuzma (PSD), lamentou a morte da ex-parlamentar e destacou a atuação dela na proteção da infância.
“Arlete Caramês foi uma mulher inspiradora, que nos deixou um grande legado. Após um evento traumático, transformou-se em ativista e, também por meio da política, conseguiu avanços efetivos na proteção das crianças e dos adolescentes. Nossos sentimentos aos amigos e aos familiares”, declarou Kuzma.
A vereadora Sargento Tânia Guerreiro (Pode), que atua há mais de 30 anos no combate à pedofilia e ao abuso infantil, também se manifestou sobre a morte de Arlete.
“Arlete Caramês nos deixa um legado de coragem, resiliência e compromisso com a vida. Sua história é um testemunho de amor incondicional que ultrapassou a dor e se transformou em luta coletiva. Seu nome permanecerá como símbolo de resistência e esperança”, afirmou Tânia Guerreiro.
Trajetória política e atuação
Em 1992, um ano após o desaparecimento do filho, Arlete fundou o Movimento Nacional da Criança Desaparecida do Paraná (CriDesPar), organização voltada à prevenção e à localização de crianças desaparecidas, que a projetou nacionalmente.
Em 1998, ela concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados e recebeu 30.226 votos, mas não se elegeu. Dois anos depois, obteve 14.160 votos e foi eleita vereadora de Curitiba.
No Legislativo municipal, integrou as comissões de Constituição e Justiça, então chamada de Legislação, Justiça e Redação, e de Serviço Público. Entre suas iniciativas, está a lei municipal 10.529/2002, que instituiu a Semana da Prevenção Contra Desaparecimentos de Crianças e Adolescentes, realizada na terceira semana de julho no calendário oficial da cidade.
Arlete também é autora da lei municipal 10.521/2002, que trata de acessibilidade em caixas eletrônicos. Ela apresentou ainda outros projetos voltados à infância que não foram aprovados, como a divulgação de pessoas desaparecidas no site da Prefeitura de Curitiba, a adoção de ficha para identificação de crianças em hotéis e a exigência de carteira de identidade na matrícula escolar.
Referência na busca por crianças desaparecidas
O ativismo de Arlete Caramês contribuiu para a criação, em 1995, do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas do Paraná (Sicride), estrutura da Polícia Civil dedicada à localização de menores desaparecidos. Segundo o site da corporação, o Sicride é a primeira e única unidade do país voltada exclusivamente a casos de desaparecimento de crianças e adolescentes.
Ela também atuou na articulação da Lei 11.259/2005, que alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para determinar que órgãos de segurança realizem buscas imediatas após o registro de desaparecimento de crianças e adolescentes. A norma obriga a comunicação do fato a portos, aeroportos, Polícia Rodoviária e companhias de transporte interestadual e internacional, com o envio dos dados necessários à identificação do desaparecido.
Velório e sepultamento
Até o momento, a família de Arlete Caramês não divulgou informações sobre velório e sepultamento.
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