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Mortes caem nas rodovias federais do Paraná, mas risco segue

Balanço da PRF registra queda nas vítimas, mas manutenção precária de caminhões ainda provoca tragédias evitáveis

Por Redação
REDAÇÃO

27/04/2026 • 15:32 • Atualizado em 27/04/2026 • 15:32

As mortes nas rodovias federais do Paraná diminuíram no ano passado, segundo balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF), mas os acidentes graves continuam frequentes no estado, muitos deles ligados a falhas de manutenção em caminhões, conforme relataram profissionais do setor ouvidos em Curitiba.

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De acordo com a PRF, o número de vítimas fatais caiu em comparação com o ano anterior nas BRs que cortam o Paraná. Mesmo assim, o órgão destaca que a quantidade de acidentes com feridos graves permanece alta e exige atenção de motoristas e empresas de transporte.

Entre os fatores apontados por especialistas está a condição da frota de carga. Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indicam que mais de 30% dos caminhões no país circulam com algum tipo de deficiência de manutenção, o que aumenta o risco de panes e colisões.

Cuidados de caminhoneiros experientes

Com mais de 20 anos de estrada, o caminhoneiro Elizandro Santos afirma que tenta não facilitar. Mesmo com a correria de prazos e longas jornadas, ele diz que só se sente seguro quando mantém o veículo em dia.

"Eu vivo do caminhão, então não posso descuidar. Faço revisão antes de cada viagem, confiro freios, pneus e parte elétrica, porque qualquer falha pode custar uma vida", relata o motorista.

A postura, porém, não é regra entre transportadoras e autônomos. Profissionais do setor apontam que muitos veículos adiam reparos e circulam com componentes desgastados, o que compromete a segurança de quem dirige e de quem divide a pista com os caminhões.

Manutenção preventiva ainda é exceção

Para a gerente do Sindirepa, entidade que representa as oficinas, Lorena Bill, a cultura de manutenção preventiva ainda engatinha no Brasil. Ela afirma que boa parte dos proprietários só procura ajuda técnica quando o caminhão já apresenta algum problema visível.

"Muitos motoristas e empresas deixam para vir à oficina só quando o defeito aparece. A revisão programada, que evita quebras e acidentes, ainda não é prioridade para uma parcela grande do setor", avalia Lorena.

Na visão dela, a falta de planejamento e as dificuldades financeiras pesam na decisão. "Há quem veja a manutenção como gasto, e não como investimento em segurança. O resultado é uma frota rodando no limite, com maior chance de falha em situações de emergência", completa.

Freios falhos e tragédias nas estradas

O mecânico Márcio Rampon, proprietário de uma oficina especializada em caminhões na região de Curitiba, concorda que a conta não fecha para todos. Ele relata que empresas maiores costumam seguir cronogramas rígidos de revisão, enquanto transportadoras menores e autônomos postergam inspeções por causa do custo.

"Num caminhão, tudo precisa estar em ordem: suspensão, sistema elétrico, pneus, alinhamento e, principalmente, os freios. Só que, muitas vezes, o veículo só aparece aqui quando já quebrou na estrada", relata o mecânico.

Segundo Rampon, o sistema de frenagem é o ponto mais delicado. Uma falha, alerta, pode desencadear acidentes em série em trechos de serra ou de movimento intenso. Recentemente, em Balsa Nova, no Paraná, um engavetamento matou um adolescente de 15 anos. De acordo com o depoimento do caminhoneiro envolvido, os freios do veículo não funcionaram no momento da colisão.

"Quando o freio falha num caminhão carregado, o motorista perde o controle e não tem muito o que fazer. Com a manutenção em dia, a chance de isso acontecer cai bastante e a gente evita que tragédias como essa se repitam", ressalta Rampon.

Para a PRF e os profissionais ouvidos, o desafio para os próximos anos é reforçar a fiscalização e a conscientização sobre a importância das revisões, para que a queda nas mortes se mantenha e os acidentes graves deixem de fazer parte da rotina nas estradas federais do Paraná.