O Ministério Público do Paraná denunciou por estupro de vulnerável o dentista Luís Alberto Pohlmann Junior, preso sob suspeita de abusar sexualmente de crianças e adolescentes, entre elas pacientes e parentes. Ele foi detido no início deste mês, e a polícia já colheu relatos de pelo menos nove vítimas em ocorrências no interior do estado e em Curitiba.
Abuso de prima em chácara da família
De acordo com a denúncia, Pohlmann Junior teria abusado da prima em mais de uma ocasião. Um dos episódios descritos aconteceu em 2009, quando a vítima tinha 10 anos, em uma chácara da família no município de Teixeira Soares, na região dos Campos Gerais.
Segundo o Ministério Público, o dentista se aproveitava da relação familiar e da confiança construída com a criança para praticar os crimes. Os promotores apontam que os abusos atribuídos ao acusado se estenderam por um período prolongado.
Vítimas relatam crimes no consultório
As investigações indicam que os casos não se limitaram à chácara da família. De acordo com a polícia, há relatos de abusos que teriam ocorrido também no consultório odontológico do profissional, em Curitiba.
Um desses casos envolve uma adolescente que era paciente do dentista na capital. Conforme explica o delegado Rodrigo Rederde, responsável pela apuração, a jovem contou que os abusos aconteceram durante atendimentos, quando ela estava sozinha com o profissional dentro do consultório. O caso está sob investigação do Nucria, núcleo especializado de proteção à criança e ao adolescente.
Ao menos nove crianças e jovens na investigação
Rederde afirma que a prisão do dentista, no começo do mês, incentivou outras possíveis vítimas a procurarem a polícia. Desde então, novas denúncias surgiram, inclusive em Curitiba, e são analisadas pelos investigadores.
Na avaliação do delegado, os relatos apresentam um padrão semelhante de abordagem, o que reforça a suspeita de atuação repetida do mesmo autor. A polícia ainda colhe depoimentos e reúne provas para subsidiar o processo criminal.
Polícia incentiva novas denúncias
O delegado destaca que os investigadores acreditam que mais vítimas possam existir e ainda não tenham procurado as autoridades. Ele incentiva pessoas que sofreram abusos ou que tenham informações sobre o caso a registrar ocorrência em delegacias da Polícia Civil.
Pohlmann Junior já foi condenado anteriormente em outro caso semelhante, que também envolve crime sexual contra vítima vulnerável. A nova denúncia do Ministério Público pode agravar a situação do dentista na Justiça.
Nota à imprensa
A defesa de Luis Alberto Zurita Pohlmann Junior informa que teve acesso à denúncia oferecida pelo Ministério Público no processo nº 0000138-31.2026.8.16.0164 e esclarece pontos relevantes para a correta compreensão dos fatos.
A investigação foi amplamente divulgada como envolvendo múltiplas supostas vítimas. No entanto, ao final, a denúncia foi oferecida em relação a apenas uma pessoa, o que evidencia a fragilidade do material produzido durante a fase investigativa.
Mesmo em relação a essa única imputação, os fatos narrados não possuem delimitação temporal minimamente precisa. Conforme consta dos próprios autos, os episódios são descritos de forma genérica, situados apenas entre faixas etárias da suposta vítima, sem indicação de datas, períodos ou circunstâncias concretas que permitam reconstrução objetiva dos acontecimentos.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público menciona um fato com data específica em 02 de outubro de 2009, mas amplia a imputação para incluir “outras ocasiões anteriores não precisadas”, sem qualquer delimitação temporal. Esse ponto é juridicamente grave.
O crime de estupro de vulnerável, utilizado na denúncia, somente passou a existir na legislação brasileira em agosto de 2009. Ao imputar fatos “anteriores” sem indicar quando teriam ocorrido, a acusação sequer permite verificar se tais episódios ocorreram após a criação do próprio tipo penal.
Em outras palavras, a denúncia admite a possibilidade de imputar como crime fatos que podem ter ocorrido antes mesmo de sua existência na lei, o que é vedado pelo princípio básico da legalidade no direito penal.
Advocacia CriminalPetrin
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Essa ausência de definição temporal impede não apenas o exercício pleno do direito de defesa, mas também o controle jurídico mínimo da própria acusação.
Importante esclarecer ainda que não houve, neste momento, o recebimento definitivo da denúncia. A decisão judicial proferida consiste em um juízo preliminar de admissibilidade formal, com a abertura de prazo para apresentação de resposta à acusação, etapa em que a defesa poderá demonstrar tecnicamente as inconsistências da imputação.
O efetivo recebimento da denúncia, nos termos do Código de Processo Penal, pressupõe a análise após o contraditório inicial, momento em que serão enfrentadas as questões relativas à ausência de justa causa, inépcia da denúncia e demais nulidades já apontadas pela defesa.
Luis Alberto Zurita Pohlmann Junior exercerá plenamente seu direito de defesa, no momento processual adequado, confiando que o Poder Judiciário fará a análise técnica necessária diante das inconsistências já identificadas.
Curitiba, 18 de março de 2026
FELIPE HENRIQUE ROZGRIN PETRINOAB/PR 85.554
DEBORA WOELLNER TRACZ PETRINOAB/PR 113.602
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