Band Paraná

MP lança cartilha para jovens identificarem relacionamentos abusivos

Material busca prevenir feminicídios e ensina adolescentes a reconhecer sinais de controle e agressão antes que a violência vire crime

Da redação
DA REDAÇÃO

03/04/2026 • 14:22 • Atualizado em 03/04/2026 • 14:22

O Ministério Público de São Paulo lançou, em 3 de abril de 2026, uma cartilha educativa voltada a adolescentes para ajudá-los a identificar relacionamentos abusivos e reforçar a prevenção à violência contra a mulher no estado.

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O material procura auxiliar principalmente as jovens a reconhecer atitudes controladoras e comportamentos que podem caracterizar abuso, antes que situações de ciúme e vigilância se transformem em agressões físicas ou patrimoniais. A iniciativa aposta na informação como ferramenta de defesa e de tomada de decisão.

Prevenção começa na adolescência

O guia destaca que, na maioria das vezes, relações abusivas começam de forma sutil. Entre os primeiros sinais estão proibições relacionadas a roupas, uso de maquiagem e restrições ao convívio com amigos e familiares. A cartilha alerta que, sob o pretexto de cuidado, o parceiro pode tentar isolar a jovem do seu círculo social.

Com o tempo, esses comportamentos tendem a escalar, passando a incluir xingamentos, humilhações, empurrões, violência psicológica e controle de gastos. O material também aponta o desestímulo aos estudos ou ao trabalho, críticas constantes e o ciclo em que episódios de agressividade são seguidos por pedidos de desculpas e presentes.

Sinais de alerta listados no guia

A cartilha é estruturada em sete dicas principais que ajudam a diferenciar cuidado de controle excessivo e a validar a percepção das vítimas. Segundo o Ministério Público, o objetivo é reduzir a dúvida sobre se determinada atitude configura violência e encorajar a busca por ajuda ao primeiro sinal de risco.

  • Identificar o controle: perceber quando o parceiro tenta invalidar ou criticar constantemente as ações da mulher.
  • Buscar rede de apoio: conversar com amigos e familiares para garantir segurança emocional e física.
  • Romper o ciclo: usar as informações para ganhar confiança e encerrar o relacionamento ao notar que a integridade está em risco.
  • Consultar termos: dar nome aos comportamentos abusivos, facilitando o reconhecimento da violência.

Prevenção ao feminicídio e rede de apoio

A promotora do Ministério Público de São Paulo Valéria Scaranzi ressalta que identificar esses sinais ainda na juventude é estratégico para prevenir feminicídios. Na avaliação dela, embora nem todo relacionamento abusivo termine em crime letal, quase todo feminicídio íntimo é precedido por uma relação marcada por controle e agressões.

Para a promotora, reconhecer precocemente o abuso e buscar apoio é uma forma direta de interromper a escalada da violência. A orientação é que adolescentes conversem com pessoas de confiança e acionem a rede de apoio disponível sempre que perceberem que sua segurança física ou emocional pode estar comprometida.

Ao oferecer linguagem simples e exemplos práticos do cotidiano, a cartilha pretende criar uma base de conhecimento capaz de frear a progressão da violência desde as primeiras relações afetivas da juventude, fortalecendo a autonomia das mulheres no ambiente social e doméstico.