O Ministério Público de São Paulo lançou, em 3 de abril de 2026, uma cartilha educativa voltada a adolescentes para ajudá-los a identificar relacionamentos abusivos e reforçar a prevenção à violência contra a mulher no estado.
O material procura auxiliar principalmente as jovens a reconhecer atitudes controladoras e comportamentos que podem caracterizar abuso, antes que situações de ciúme e vigilância se transformem em agressões físicas ou patrimoniais. A iniciativa aposta na informação como ferramenta de defesa e de tomada de decisão.
Prevenção começa na adolescência
O guia destaca que, na maioria das vezes, relações abusivas começam de forma sutil. Entre os primeiros sinais estão proibições relacionadas a roupas, uso de maquiagem e restrições ao convívio com amigos e familiares. A cartilha alerta que, sob o pretexto de cuidado, o parceiro pode tentar isolar a jovem do seu círculo social.
Com o tempo, esses comportamentos tendem a escalar, passando a incluir xingamentos, humilhações, empurrões, violência psicológica e controle de gastos. O material também aponta o desestímulo aos estudos ou ao trabalho, críticas constantes e o ciclo em que episódios de agressividade são seguidos por pedidos de desculpas e presentes.
Sinais de alerta listados no guia
A cartilha é estruturada em sete dicas principais que ajudam a diferenciar cuidado de controle excessivo e a validar a percepção das vítimas. Segundo o Ministério Público, o objetivo é reduzir a dúvida sobre se determinada atitude configura violência e encorajar a busca por ajuda ao primeiro sinal de risco.
- Identificar o controle: perceber quando o parceiro tenta invalidar ou criticar constantemente as ações da mulher.
- Buscar rede de apoio: conversar com amigos e familiares para garantir segurança emocional e física.
- Romper o ciclo: usar as informações para ganhar confiança e encerrar o relacionamento ao notar que a integridade está em risco.
- Consultar termos: dar nome aos comportamentos abusivos, facilitando o reconhecimento da violência.
Prevenção ao feminicídio e rede de apoio
A promotora do Ministério Público de São Paulo Valéria Scaranzi ressalta que identificar esses sinais ainda na juventude é estratégico para prevenir feminicídios. Na avaliação dela, embora nem todo relacionamento abusivo termine em crime letal, quase todo feminicídio íntimo é precedido por uma relação marcada por controle e agressões.
Para a promotora, reconhecer precocemente o abuso e buscar apoio é uma forma direta de interromper a escalada da violência. A orientação é que adolescentes conversem com pessoas de confiança e acionem a rede de apoio disponível sempre que perceberem que sua segurança física ou emocional pode estar comprometida.
Ao oferecer linguagem simples e exemplos práticos do cotidiano, a cartilha pretende criar uma base de conhecimento capaz de frear a progressão da violência desde as primeiras relações afetivas da juventude, fortalecendo a autonomia das mulheres no ambiente social e doméstico.
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