Band Paraná

Mulher presa após se passar por criança em SC fez vítimas no Paraná

A dor que ela me causou e que ela vai causar eternamente, porque ela está escrita na minha pele junto com o nome dos meus filhos, diz vítima

João Marcelo
JOÃO MARCELO

05/06/2026 • 19:02 • Atualizado em 05/06/2026 • 19:06

A prisão de uma mulher investigada por golpes em outro estado trouxe à tona novos relatos de vítimas no Paraná. Entre os casos, está o de pessoas que afirmam ter sido enganadas durante a pandemia, quando a suspeita teria se passado por uma criança de 13 anos com leucemia em um grupo de oração virtual.

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Segundo as vítimas, a mulher criou uma personagem chamada Emily, dizia estar internada em Brasília e participava de lives com máscara, touca, voz infantil e pouca luz. A interação teria durado cerca de dez meses.

Vítimas relatam golpe emocional

Tatiane, uma das vítimas, conta que a suposta criança passou a ser acolhida pelo grupo e criou vínculos emocionais com os participantes.

“Ela virou o xodó do grupo e passou a rezar ao vivo nas lives. Então ela entrava e rezava conosco. Ela dizia que estava hospitalizada em Brasília, ela rezava com máscara e com touca. Foram dez meses de interação a meia luz, sempre uma penumbra assim e com voz de criança”, relatou.

Com o tempo, segundo os relatos, as histórias ficaram mais graves. A mulher teria inventado a morte dos pais e até um abuso dentro do hospital onde dizia estar internada.

Farsa teria sido descoberta após pedido de dinheiro

As vítimas afirmam que a farsa começou a ser descoberta quando a mulher passou a pedir dinheiro.

O impacto emocional foi tão grande que uma das pessoas enganadas chegou a tatuar o nome que a suspeita usava na época.

“Eu nunca vi ela pessoalmente. Mas a dor que ela me causou e que ela vai causar eternamente, porque ela está escrita na minha pele junto com o nome dos meus filhos, isso não é justo, é muito cruel”, disse Tatiane.

Defesa cobra avanço da investigação

A defesa das vítimas protocolou uma notícia-crime em 2022 e pediu que a suspeita respondesse por estelionato qualificado. Segundo a advogada Caroline Rangel, o caso já tinha elementos para ser investigado desde o início.

“Não era uma conjectura. A materialidade delitiva estava demonstrada desde o início por vários áudios, por várias mensagens, prints de conversas e depoimento das vítimas, mas mesmo assim as diligências não foram realizadas”, afirmou.

A advogada diz que, se o caso tivesse avançado antes, outras pessoas poderiam ter sido poupadas.

“De repente, se a gente tivesse parado ela lá atrás, em 2022, não teria chegado ao ponto que chegou de ter feito outras vítimas”, disse.

Polícia Civil foi procurada

A Band Paraná procurou a Polícia Civil para entender por que as investigações não avançaram, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.

As vítimas dizem que decidiram falar agora para alertar outras pessoas após a prisão da mulher em outro estado e o surgimento de novos relatos.