Uma mulher conseguiu pedir ajuda discretamente ao fazer o chamado sinal universal de socorro enquanto caminhava com o ex-companheiro em uma rua de Pitanga, no interior do Paraná, e foi resgatada por um motorista que a levou à delegacia, onde o homem acabou preso em flagrante por violência doméstica.
Como foi o resgate na rua de Pitanga
Imagens de câmeras de segurança mostram a mulher e o homem subindo a via a pé quando ela coloca uma das mãos para trás e faz o gesto. Um veículo que passa pelo local reduz a velocidade, o motorista observa e decide parar poucos metros à frente.
O motorista, que preferiu não se identificar, contou que reconheceu o pedido de socorro pelas redes sociais e decidiu intervir. Em depoimento, ele relatou que já tinha visto o gesto na internet e, por isso, parou o carro para entender a situação.
"Já conhecia esse sinal pela internet e foi quando a gente deu uma parada, pensou o que fazer e resolveu prestar socorro, ver o que estava acontecendo", afirmou o motorista.
Segundo as testemunhas, a mulher apresentava ferimentos e pediu para ser levada à delegacia. O homem concordou em entrar no carro junto com ela. Ao chegar à unidade policial, os agentes ouviram o relato da vítima, identificaram um caso de violência doméstica e efetuaram a prisão em flagrante do suspeito.
O que diz a Polícia Civil
De acordo com o delegado responsável pela investigação, o acusado tinha ido até a casa da ex-companheira antes das imagens registradas, momento em que agrediu a vítima.
Na visão do delegado, ele obrigou a mulher a seguir com ele até a residência do atual companheiro dela. No trajeto, em plena via pública, a vítima aproveitou uma brecha para fazer o sinal com a mão e conseguir pedir ajuda sem que o agressor percebesse.
Entenda o sinal universal de socorro
Foi nessa rua de Pitanga que a mulher recorreu ao gesto que se popularizou como forma silenciosa de pedir socorro em situações de violência. O código busca permitir que vítimas alertem terceiros sem levantar suspeitas de quem as acompanha.
O sinal consiste em mostrar a palma da mão, dobrar o polegar para dentro e, em seguida, fechar os outros quatro dedos sobre ele. A orientação é que quem reconhecer o gesto entenda que aquela pessoa precisa de ajuda e acione imediatamente a polícia ou ofereça apoio seguro.
Para o motorista que ajudou a mulher, colocar-se no lugar de um familiar foi decisivo para a abordagem.
"A gente se põe um parente no lugar. Então, se alguém ver um gesto desse e puder parar, auxiliar, ver o que está acontecendo... Se fosse com um parente meu, eu ia gostar muito que alguém prestasse socorro", declarou.
Decisão judicial e próximos passos
Após a prisão, o homem passou por audiência de custódia e a Justiça decidiu soltá-lo para que responda ao processo em liberdade. Conforme informações da Polícia Civil, o Ministério Público não pediu a manutenção da prisão, mas sugeriu que a liberdade fosse condicionada ao pagamento de fiança e à imposição de medida protetiva em favor da vítima.
A Justiça, no entanto, não aplicou a restrição solicitada porque a mulher teria informado não considerar necessária a medida protetiva. A fiança também não foi estabelecida, permitindo que o suspeito deixasse a carceragem sem esse pagamento.
O delegado que conduz o caso afirma que pretende ouvir novamente a vítima para esclarecer se ela pode ter sido coagida pelo ex-companheiro ao dispensar a proteção judicial. A investigação segue em andamento na delegacia de Pitanga.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:

