Band Paraná

Nomeação no TCE-PR gera debate após condenação de servidor

Inspetor comissionado rebate críticas, e Tribunal defende escolha para atuação em auditorias

João Marcelo
JOÃO MARCELO

10/04/2026 • 18:13 • Atualizado em 10/04/2026 • 18:13

Eleozir da Silva, inspetor do TCE-PR, rebate críticas à nomeação após condenação antiga e diz que seguirá no cargo.

Eleozir da Silva, inspetor do TCE-PR, rebate críticas à nomeação após condenação antiga e diz que seguirá no cargo.

Foto: Band Paraná

O servidor comissionado Eleozir da Silva, que atua como inspetor no Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) e como auditor do programa estadual Olho Vivo, rebate questionamentos de uma entidade sobre sua nomeação, criticada pelo fato de ele não ser servidor de carreira e ter uma condenação antiga por porte ilegal de arma e receptação.

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Condenação antiga e atuação no serviço público

Há mais de dez anos, a Justiça condenou Eleozir a cinco anos e dez meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma e receptação. Ele afirma que o processo teve falhas e que o Ministério Público chegou a pedir sua soltura em duas ocasiões.

"Eu fui preso em um determinado local, onde me acusaram de estar em outro, sem direito a falar, sem direito a me explicar. Simplesmente decretaram uma prisão preventiva. O Ministério Público, à época, se você procurar nos autos, pediu duas vezes a minha soltura", declarou o servidor.

Antes de chegar ao TCE-PR, Eleozir trabalhou na Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Paraná. Em 2025, o conselheiro Fábio Camargo fez a primeira nomeação dele para o Tribunal. No início deste ano, ele passou a atuar como auditor do programa Olho Vivo, do governo estadual, voltado ao combate à criminalidade.

Defesa da nomeação e experiência em segurança

Para o conselheiro Fábio Camargo, o fato de o inspetor não ser oriundo dos quadros permanentes do Tribunal agrega uma visão distinta às equipes técnicas.

"O fato de o inspetor ser uma pessoa de fora e não dos quadros internos do Tribunal traz uma condição de conhecimento, eu diria, de vida, com uma união técnica. Eu acho que quem tem conhecimento sobre segurança pública, por ter trabalhado na área, pode trazer mais condição e melhor percepção para que a gente possa dar mais sugestões para a questão", avaliou.

Licitação suspensa e atribuições no TCE-PR

No início deste mês, o TCE-PR suspendeu um pregão eletrônico de cerca de R$ 581 milhões ligado à área de segurança pública. A decisão foi do conselheiro Fernando Guimarães, após pareceres técnicos de auditores do Tribunal apontarem fragilidades no edital.

Camargo lembrou, em sessão, que o Tribunal está "de olho vivo" sobre contratos da área e disse que um colega, por sorteio, decidiu analisar o caso com mais cautela.

"Na penúltima sessão, quando eu fiz um trocadilho de que estaríamos de olho vivo e que, por meio de um sorteio aleatório, um colega achou por bem, cautelarmente, entender que o projeto deveria, neste momento, ser melhor estudado", afirmou.

O Supremo Tribunal Federal já definiu que coordenações de auditorias e fiscalizações são atribuições exclusivas de auditores de controle externo. Em nota, o TCE-PR informou que a nomeação de inspetores cabe exclusivamente ao conselheiro superintendente.

Eleozir diz que seguirá no cargo

Eleozir afirma que pretende continuar no trabalho, apesar das críticas.

"Com muito respeito, a população precisa saber, e nós vamos continuar trabalhando com o mesmo afinco, com o mesmo respeito e levando as respostas que merecem ser levadas de maneira institucional", disse o servidor.