A obesidade mais que dobrou no Brasil desde 2006 e já atinge um em cada quatro adultos, de acordo com levantamento do Ministério da Saúde que aponta alta de 118% no período e acende um alerta para o impacto da doença na saúde pública.
Hoje, 25,7% dos brasileiros maiores de 18 anos vivem com obesidade, o que corresponde a pouco mais de um quarto da população economicamente ativa. Quando se somam os casos de sobrepeso, o índice supera 60% dos adultos.
Para especialistas, os números já caracterizam um cenário de epidemia. Eles ressaltam que o problema vai muito além da balança e não pode ser tratado apenas como questão estética.
Obesidade abre portas para outras doenças
A endocrinologista Cláudia Montemor explica que o excesso de peso está diretamente associado a enfermidades graves e crônicas.
“Aumenta muito a chance de ter doenças associadas, como hipertensão e diabetes. Hoje a gente sabe que a causa mais comum de câncer de fígado e cirrose é devido à esteatose hepática. Apneia do sono e doenças articulares também estão relacionadas”, afirma a médica.
Na visão de Cláudia, o avanço da obesidade pressiona o sistema de saúde e exige diagnóstico precoce para evitar o desenvolvimento dessas complicações ao longo dos anos.
Sedentarismo e ultraprocessados agravam cenário
Os especialistas apontam que fatores genéticos e hormonais podem influenciar no ganho de peso, mas destacam que o ambiente atual favorece o aumento da obesidade.
“O que a vida moderna hoje faz? A gente quase não se movimenta, é sempre de carro, e os alimentos ultraprocessados... A gente come muita porcaria”, diz Cláudia Montemor.
Ela cita ainda a rotina corrida, o estresse no trabalho e a má alimentação como elementos que contribuem para o quadro. A combinação de sedentarismo com dietas ricas em produtos industrializados cria um ambiente propício ao ganho de peso.
Doença crônica ainda sofre com estigma
Mesmo com os riscos conhecidos, a obesidade ainda não recebe, em muitos casos, o tratamento de doença crônica.
“Tem muito estigma da obesidade. Muitos, inclusive médicos, não tratam a obesidade como uma doença crônica. A população tem a ideia de que é só mudança de estilo de vida, ou que é só preguiça, mas não é bem assim”, avalia a endocrinologista.
Segundo Cláudia, a obesidade precisa ser diagnosticada e acompanhada como qualquer outra condição crônica.
“Tem tratamento, a obesidade precisa ser diagnosticada. Não é apenas um número na balança. Diante do diagnóstico, tem que iniciar tratamento medicamentoso e mudança de estilo de vida: alimentação adequada, atividade física, melhora do estresse e do sono”, orienta.
Mudança de hábitos começa a ganhar força
Nas ruas, a presença cada vez maior de pessoas acima do peso confirma as estatísticas nacionais. Ao mesmo tempo, muitas pessoas têm buscado reverter o quadro com acompanhamento médico, ajustes na alimentação e prática regular de exercícios.
Para os especialistas, reconhecer a obesidade como doença e buscar ajuda são passos decisivos para frear o avanço da epidemia e melhorar a qualidade de vida da população.
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