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Obra de linha de energia revela fósseis de 400 milhões de anos no Paraná

Escavações coletam 2,6 mil amostras de invertebrados, plantas e peixes de eras anteriores aos dinossauros

Rodrigo Leite
RODRIGO LEITE

11/02/2026 • 19:11 • Atualizado em 11/02/2026 • 19:11

Escavações realizadas para a construção de uma linha de transmissão de energia entre Ponta Grossa, no Paraná, e Assis, no interior de São Paulo, revelaram fósseis com cerca de 400 milhões de anos e mobilizaram equipes de paleontólogos e pesquisadores da região.

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Fósseis anteriores aos dinossauros

Ao todo, as equipes coletaram 2,6 mil amostras em 215 pontos de escavação ao longo do traçado da obra. O material foi retirado em camadas de rochas sedimentares que permaneciam enterradas e sem acesso desde períodos muito anteriores ao surgimento dos dinossauros.

Em uma análise inicial, os especialistas identificaram restos de invertebrados marinhos, fragmentos de plantas, conchas e escamas de peixe. O conjunto indica que a área, hoje em região continental, já esteve coberta por ambientes aquáticos há centenas de milhões de anos.

Para o paleontólogo Élvio Bosseti, a dimensão da descoberta é inédita para a área e reforça a importância do acompanhamento científico em grandes empreendimentos.

As escavações revelaram um conjunto muito diverso de fósseis, em um estado de preservação que consideramos excelente. Este tipo de achado amplia o registro paleontológico da região e abre uma janela rara para entender como era o ambiente há centenas de milhões de anos, afirma Bosseti.

Material seguirá para museu em Ponta Grossa

Todo o material coletado agora passa por um processo de seleção, limpeza e catalogação. As peças de maior interesse científico e didático devem integrar o acervo do Museu de Ciências Naturais da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Segundo os pesquisadores, a exposição dos fósseis ao público deve aproximar a população da história geológica local e ajudar a explicar as transformações pelas quais o território passou ao longo do tempo.

Quando as pessoas perceberem que onde hoje existem cidades, estradas e propriedades rurais já funcionou um grande oceano, isso pode causar um choque. É uma mudança de percepção sobre o lugar em que vivemos e sobre a escala de tempo da natureza, avalia Antonio Liccardo, coordenador do museu.

Descobertas em meio a grandes obras

Casos como o registrado entre Paraná e São Paulo se repetem em diferentes partes do mundo, em especial durante grandes intervenções de infraestrutura. A abertura de túneis, valas e fundações expõe camadas profundas do solo e costuma revelar materiais preservados por séculos ou milhões de anos.

Na Itália, escavações para expansão da rede de metrô já trouxeram à luz ruínas de diferentes períodos da história de cidades, alterando projetos e originando novas áreas de visitação. No Brasil, obras para a construção de uma estação de metrô no bairro do Bixiga, em São Paulo, identificaram objetos do fim do século 19 ligados à história afro-brasileira, que também passaram a ser estudados e preservados por pesquisadores.