
Açaí juçara vira oportunidade de renda para comunidades caiçaras no Litoral
Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
A Portos do Paraná promoveu nesta quarta-feira (1º) a primeira oficina em nível intermediário sobre coleta, despolpa e técnicas de armazenamento do açaí juçara na Ilha do Amparo, no litoral do estado, como parte do Programa de Educação Ambiental (PEA).
A atividade busca consolidar o fruto nativo da Mata Atlântica como alternativa de geração de renda para comunidades formadas principalmente por pescadores e, ao mesmo tempo, contribuir para a preservação da palmeira juçara, espécie ameaçada de extinção.
Segundo o coordenador de Comunicação, Educação e Sustentabilidade da Portos do Paraná, Pedro Pisacco, oferecer alternativas econômicas fortalece a permanência dos moradores na região. "Oferecer novas oportunidades de renda é uma forma de incentivar os jovens a permanecerem na comunidade, sem a necessidade de buscar emprego em grandes centros", afirmou.
Ele acrescenta que a proposta também é ampliar o consumo do açaí dentro das próprias ilhas. "Representantes das escolas têm interesse em incluir o alimento na merenda, por ser extremamente nutritivo, rico em vitaminas e antioxidantes, proporcionando diversos benefícios à saúde", destacou.
Aprendizado na prática
O Instituto Juçara de Agroecologia conduziu as etapas teórica e prática da oficina. Em um primeiro momento, moradores revisaram, de forma aplicada, os conteúdos das formações anteriores, de nível básico, voltadas ao manuseio do fruto.
De acordo com o vice-presidente do instituto, Rafael Serafim da Luz, os próprios participantes executaram todo o processo, da limpeza à despolpa. "Eles conduziram todo o processo, realizando a limpeza e a despolpa dos frutos. Em seguida, mostramos como utilizar a seladora para embalar e congelar o produto. As técnicas permitem consumir o açaí durante todo o ano", explicou.
Durante a coleta, a equipe orienta a seleção de frutos maduros e sadios, que passam por higienização em solução apropriada. Depois do enxágue, os cachos seguem para a despolpadeira, que separa a polpa do caroço e da casca, resultando em um líquido que ainda passa por peneiramento para consumo e processamento.
Comunidade engajada na produção
Moradora da Ilha do Amparo há 45 anos, a pescadora Edneia Pereira participou das três edições de oficinas realizadas na Cozinha Comunitária que homenageia a avó, dona Francisca Basília. Após as aulas, ela e o marido já colheram o fruto e produziram cinco litros de açaí.
Edneia destaca a importância da doação de uma despolpadeira feita pela Portos do Paraná para impulsionar a produção local. "A gente já tem uma associação de mulheres aqui na ilha e, nos próximos eventos, queremos levar pães e geleias de açaí para vender. A despolpadeira ajuda muito nesse processo", afirmou.
Para o presidente da Associação da Ilha do Amparo, Osmail Pereira do Rosário, as oficinas estimulam o interesse das novas gerações pela palmeira e pelo fruto. "As crianças já perguntam sobre o açaí, sabem como preparar bolo e suco, e já temos pessoas produzindo para consumo próprio", relatou.
Fruto nativo e preservação ambiental
Rico em ferro, cálcio e antocianinas, o açaí juçara se origina da palmeira Euterpe edulis, nativa de áreas litorâneas de Mata Atlântica. Os antioxidantes são responsáveis pela coloração roxa escura, semelhante ao açaí amazônico, e tornam o alimento aliado da alimentação escolar e familiar.
No litoral paranaense, a coleta ocorre entre março e maio, período de frutificação e amadurecimento dos cachos. De fácil manejo, a palmeira faz parte da paisagem caiçara e é comum em quintais e áreas residenciais, onde tradicionalmente se explorou o palmito juçara.
Capacitação e geração de renda
A Portos do Paraná já promoveu outras quatro oficinas sobre o açaí juçara, que capacitaram 131 pessoas. Desde 2019, a empresa pública organiza dezenas de oficinas e cursos profissionalizantes gratuitos voltados às comunidades litorâneas do estado.
As iniciativas buscam incentivar práticas sustentáveis, fortalecer a educação ambiental, apoiar a organização comunitária e valorizar o meio ambiente, além de estimular novas fontes de renda para as famílias atendidas.
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