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Pão no bafo de Palmeira recebe selo de indicação geográfica

Reconhecimento do INPI valoriza tradição russo-alemã e reforça liderança do Paraná em produtos típicos

Da redação
DA REDAÇÃO

16/06/2026 • 15:59 • Atualizado em 16/06/2026 • 15:59

Pão no Bafo de Palmeira conquista Indicação Geográfica, o 27º selo do Paraná

Pão no Bafo de Palmeira conquista Indicação Geográfica, o 27º selo do Paraná

Foto: Divulgação

O tradicional prato paranaense conhecido como pão no bafo, preparado há 148 anos em Palmeira, nos Campos Gerais, obteve nesta terça-feira (16) o registro de Indicação Geográfica, na modalidade Indicação de Procedência, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

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Com o reconhecimento, o produto passa a integrar a lista de 27 itens paranaenses com selo de IG, número que mantém o Estado na liderança nacional em registros desse tipo. A Indicação de Procedência garante proteção ao uso do nome Pão no Bafo de Palmeira e define critérios para a produção.

Trabalho coletivo garantiu o selo

A conquista resultou de uma articulação entre produtores locais, Sebrae/PR, Prefeitura de Palmeira, Conselho Municipal de Turismo (Comtur) e a comunidade. O processo envolveu ações de mobilização, capacitações e a criação da Associação dos Produtores de Pão no Bafo de Palmeira (Apafo), responsável pela gestão e promoção da Indicação Geográfica.

Segundo o diretor-geral da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Bruno Krevoruczka, o reconhecimento deve gerar impactos econômicos positivos para a região dos Campos Gerais. Ele afirma que o selo agrega valor ao produto, estimula o turismo e a gastronomia local e abre novas oportunidades de renda para as famílias.

Na avaliação de Krevoruczka, cada registro reforça a imagem do Paraná. Ele destaca que o Estado demonstra a qualidade do que produz e a importância da atuação conjunta de instituições, extensionistas e agricultores.

Receita carrega quase 150 anos de história

O Pão no Bafo integra a identidade da cidade bicentenária de Palmeira, fundada em 1819. A receita chegou à região em 1878 com imigrantes russo-alemães que se estabeleceram em comunidades como Quero-Quero, Colônia Papagaios Novos, Santa Quitéria, Lago e Pugas.

O prato é preparado com três ingredientes principais: carne suína, repolho e pães cozidos no vapor, dispostos em camadas dentro de uma panela. Ao longo de quase um século e meio, a iguaria se consolidou como um dos símbolos da gastronomia paranaense.

Em 2015, o prato recebeu o título de Patrimônio Imaterial de Palmeira, após enquadramento na legislação do Ministério da Cultura e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Desde então, o município também reconheceu outros bens imateriais, como a gengibirra, bebida produzida à base de gengibre, a fanfarra do Colégio Dom Alberto, a banda Lira Celeste da Igreja Assembleia de Deus e o idioma Plautdietsch, da Colônia Witmarsum, registrado em 2020.

Paraná lidera Indicações Geográficas no país

O governo paranaense adotou uma estratégia voltada à valorização de produtos regionais e ao fortalecimento da economia local, ampliando a articulação para novos registros de IG. Com 27 Indicações Geográficas reconhecidas, o Estado ocupa a liderança nacional, à frente de Minas Gerais, com 21 registros, e de São Paulo, com 15.

Somente em 2026, além do Pão no Bafo de Palmeira, receberam certificação o couro de peixe de Pontal do Paraná, o ginseng de Querência do Norte, o café da Serra de Apucarana e as tortas de Carambeí. No ano anterior, 2025, oito novos produtos obtiveram o selo, entre eles as ostras do Cabaraquara, a ponkan de Cerro Azul, as broas de centeio de Curitiba, a cracóvia de Prudentópolis, a carne de onça de Curitiba, o café de Mandaguari, o urucum de Paranacity e o queijo colonial do Sudoeste do Paraná.

Produtos certificados e novos pedidos em análise

Entre os produtos que já contam com Indicação Geográfica no Paraná estão o mel de Ortigueira, os queijos coloniais de Witmarsum, a cachaça e a aguardente de Morretes, o melado de Capanema, os vinhos de Bituruna, o mel do Oeste do Paraná, o barreado do Litoral, a bala de banana de Antonina, a erva-mate de São Mateus do Sul, a camomila de Mandirituba, as uvas finas de Marialva, os cafés especiais do Norte Pioneiro e frutas como o morango e a goiaba de Carlópolis.

Há ainda o mel de melado da bracatinga do Planalto Sul do Brasil, registro concedido a Santa Catarina que envolve municípios do Paraná e do Rio Grande do Sul.

Outros quatro produtos paranaenses aguardam análise do INPI: a acerola de Pérola, as cervejas artesanais de Guarapuava, o mel de Capanema e a cambira, prato típico de Pontal do Paraná. Para os parceiros envolvidos na nova certificação, esses processos reforçam a presença do Estado na agenda nacional de produtos de origem e ampliam oportunidades para pequenos produtores.