O governo do Paraná decretou situação de emergência hídrica em todo o estado e restringiu, por seis meses, o uso de água tratada da rede pública para atividades consideradas não essenciais.
Pelo decreto, a população não pode utilizar água potável para serviços como lavar calçadas ou carros. A medida busca preservar os mananciais em meio à falta de chuvas que atinge o estado.
Em Curitiba, quem passa pela represa do Passaúna percebe a queda expressiva no nível da água. A faixa que antes ficava submersa hoje está exposta, com a borda do reservatório mais distante da área de vegetação.
Gerente de um restaurante na região, Bruna Gaspar relata que a mudança é visível. "O cenário assusta, mostra que antes a água vinha até próximo da grama e agora recuou bastante", afirma.
Estiagem derruba nível dos reservatórios
De acordo com dados oficiais, 69% dos principais reservatórios do Paraná estão abaixo do nível considerado normal. Outros 16% já se encontram em situação de estiagem.
A falta de chuvas intensas nas últimas semanas agrava o quadro. Não há previsão de precipitações fortes para os próximos dias, o que aumenta a preocupação com o abastecimento.
Esse cenário levou o governo estadual a adotar regras mais rígidas para o consumo de água. A prioridade é manter o fornecimento para usos essenciais, como consumo humano e serviços básicos.
Interrupções programadas no abastecimento
O decreto também autoriza a companhia de saneamento a realizar interrupções programadas no abastecimento de água em algumas regiões do estado.
Segundo o governo, os rodízios devem ajudar a equilibrar o consumo e a preservação dos níveis dos reservatórios, reduzindo o risco de desabastecimento em áreas mais críticas.
Preocupação no entorno da represa
Na região da represa do Passaúna, moradores e comerciantes acompanham de perto a redução do volume de água. O espelho d’água mais distante da margem mudou a paisagem para quem circula diariamente pelo local.
Na visão de Bruna Gaspar, a situação exige atenção permanente. "A gente percebe a diferença a cada semana. Espera que chova logo, mas, enquanto isso não acontece, fica todo mundo em alerta", diz.
Sem previsão de chuvas intensas e com os reservatórios pressionados, o estado deve conviver com as restrições ao uso de água tratada pelo menos pelos seis meses estabelecidos no decreto.
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