
Governador apresenta estratégia de infraestrutura e industrialização a executivos em São Paulo
Foto: Geraldo Bubniak/AEN
O governador Carlos Massa Ratinho Junior apresentou nesta terça-feira (3), em São Paulo, a empresários e investidores a estratégia de desenvolvimento econômico do Paraná, baseada em grandes investimentos em infraestrutura, modernização do ambiente de negócios e aproveitamento das vocações produtivas do Estado, durante o evento BofA Insights: Road to 2026, do Bank of America.
Investimentos e geração de empregos
Na apresentação, Ratinho Junior afirmou que o planejamento adotado nos últimos anos teve como ponto de partida a identificação das potencialidades do Paraná e a construção de políticas públicas de longo prazo.
"Os países que deram um salto econômico e social souberam identificar suas vocações. No Paraná, fomos buscar aquilo que sabemos fazer bem e estruturamos políticas para transformar essas vantagens em crescimento econômico", disse o governador.
Segundo ele, os resultados aparecem nos indicadores econômicos e sociais. O Paraná vive, de acordo com o governo estadual, o maior ciclo de geração de empregos de sua história e registrou em 2025 a menor taxa de desocupação já medida no Estado, de 3,5%, segundo dados mais recentes do IBGE. O Paraná também liderou a contratação de mulheres e jovens na região Sul no ano passado.
Dados apresentados pelo governador indicam que o PIB estadual saiu de cerca de R$ 400 bilhões em 2018 para uma projeção próxima de R$ 800 bilhões em 2026, praticamente dobrando em oito anos. Ele destacou ainda o equilíbrio fiscal, com capacidade de quitar dívidas e manter recursos em caixa, o que, na avaliação do governo, garante a sustentabilidade das contas públicas.
Essa solidez, conforme Ratinho Junior, permitiu ampliar programas de infraestrutura urbana, como o Asfalto Novo, Vida Nova, descrito como o maior programa de pavimentação e urbanização do Estado. A iniciativa já beneficia moradores de 386 municípios e superou R$ 1 bilhão em investimentos, com 418 quilômetros de ruas pavimentadas até o fim de 2025.
Agroindústria como motor do crescimento
Na área de produção de alimentos, o governador ressaltou que o Paraná construiu, em parceria com o setor produtivo, um modelo baseado na industrialização da cadeia do agronegócio, para agregar valor, ampliar exportações e multiplicar empregos.
Um dos diferenciais, segundo ele, é o papel das cooperativas agropecuárias paranaenses, apontadas como algumas das maiores e mais estruturadas do País. "Reunimos toda a cadeia produtiva por meio das cooperativas, que são uma das grandes potencialidades do Paraná, e construímos uma estratégia conjunta para industrializar a produção", afirmou.
Hoje, o Paraná é o segundo maior produtor de grãos do Brasil, mas registra déficit no mercado interno em razão da forte demanda da agroindústria instalada no Estado. O parque industrial reúne segmentos como carnes, lácteos, óleos vegetais, alimentos processados e proteína animal, o que fortalece a indústria de transformação e consolida o agronegócio como um dos pilares da economia paranaense.
Ratinho Junior voltou a defender a visão de transformar o Brasil e o Paraná no "supermercado do mundo". "Não basta produzir alimentos. É preciso industrializar, exportar produtos com maior valor agregado e gerar riqueza dentro do País. Esse é o caminho para aumentar renda, empregos e competitividade internacional", declarou.
Logística e concessões em múltiplos modais
Outro eixo destacado na apresentação foi a logística. O governador lembrou que o Paraná está em posição estratégica, no centro de uma região que concentra cerca de 70% do PIB da América do Sul, com fronteiras com Argentina e Paraguai e ligação direta com os principais mercados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.
Para aproveitar essa localização, o Estado estruturou um pacote de investimentos em infraestrutura de transporte. O principal é o programa de concessões rodoviárias, apresentado como o maior da América Latina, que prevê mais de R$ 60 bilhões em obras ao longo de sete anos, incluindo duplicações, faixas adicionais, contornos e melhorias de segurança em trechos considerados estratégicos.
Além das rodovias, Ratinho Junior citou a concessão dos três maiores aeroportos paranaenses – Curitiba, Londrina e Foz do Iguaçu – à iniciativa privada, com o objetivo de acelerar investimentos, ampliações e melhorias operacionais, em linha com o aumento da demanda por transporte de passageiros e cargas.
No setor portuário, o governador destacou os investimentos no Porto de Paranaguá, entre eles a construção do Moegão Ferroviário, prevista para ser inaugurada em março deste ano. A estrutura busca integrar os modais rodoviário e ferroviário, agilizar o escoamento de safras e reduzir o tempo de carregamento de navios, aumentando a competitividade logística do Estado.
O governo também concluiu a concessão de todas as áreas portuárias que estavam vagas em Paranaguá e está finalizando o contrato de concessão do canal de dragagem, o Canal da Galheta, à iniciativa privada. Segundo Ratinho Junior, todos os leilões ocorreram na Bolsa de Valores de São Paulo e contaram com ampla concorrência.
Menos burocracia e ambiente pró-investimento
Ao público de CEOs e representantes do mercado financeiro, o governador enfatizou que os projetos de infraestrutura vieram acompanhados de uma mudança na gestão pública e na relação com o setor produtivo. Ele afirmou que reduzir a burocracia foi fundamental para destravar investimentos e acelerar o crescimento.
"Quando o Estado reduz a máquina pública e para de incomodar quem quer produzir, a economia cresce", disse Ratinho Junior. Ele citou o programa Descomplica Energia, que, de acordo com o governo, reduziu drasticamente o tempo para liberação de licenças ambientais para usinas de energia solar, biogás e eólica, encurtando prazos que chegavam a dois anos para poucos dias, com garantia de segurança jurídica.
Outro exemplo apresentado foi o Descomplica Rural, que simplificou o licenciamento de atividades agropecuárias. Antes, a liberação de um aviário podia levar até 14 meses; agora, segundo o governador, o produtor pode obter autorização de forma automática, por meio de autodeclaração, desde que cumpra critérios técnicos e ambientais.
Na avaliação de Ratinho Junior, esse conjunto de medidas criou um ambiente mais previsível e atrativo para investidores. Ele afirmou que o Estado encerrou sete anos com quase R$ 400 bilhões em novos investimentos privados anunciados, o que teria contribuído para que o Paraná passasse da quinta para a quarta maior economia do Brasil.
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