Band Paraná

Paraná usa IA para acelerar tratamento de câncer em hospitais

Plataforma Capricórnio cruza dados de pacientes com estudos e já é usada em Londrina e Guarapuava

João Marcelo
JOÃO MARCELO

19/06/2026 • 16:56 • Atualizado em 19/06/2026 • 17:04

O Governo do Paraná implantou uma plataforma de inteligência artificial para acelerar tratamentos oncológicos no Hospital do Câncer de Londrina e no Hospital São Vicente, em Guarapuava, onde a ferramenta Capricórnio é usada desde abril para apoiar médicos na definição de terapias.

Compartilhar

Com a tecnologia, os profissionais cruzam dados clínicos dos pacientes com bases de artigos científicos e protocolos internacionais, o que permite identificar combinações de medicamentos e procedimentos em menos tempo e com maior precisão na indicação do tratamento.

A iniciativa, desenvolvida em parceria com o maior centro de oncologia pediátrica da Europa, integra informações de pesquisas globais e otimiza a pesquisa clínica. Segundo o governo estadual, a plataforma deve ser expandida para outras unidades hospitalares do Paraná.

Ferramenta reduz tempo de análise

De acordo com a Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial, a adoção da Capricórnio encurta etapas que antes consumiam vários dias de trabalho das equipes médicas.

Na avaliação do secretário Marcos Stamm, o uso da inteligência artificial impacta diretamente o tempo de resposta no tratamento do câncer e a experiência dos pacientes.

"Aquilo que poderia demorar dias hoje, com a inteligência artificial, se resume em até uma hora. Você vê a diferença que isso traz inclusive para o bem-estar do paciente no combate à doença", disse Stamm.

Pacientes já sentem impacto

Entre os casos acompanhados está o de Ana Beatriz Carvalho, que trata um tumor há três anos e realiza acompanhamento contínuo no Hospital do Câncer de Londrina.

Com o suporte da IA, os médicos identificaram uma terapia considerada ideal para remover lesões no fígado da paciente e controlar o crescimento do tumor, ajustando o plano de cuidados a partir das recomendações encontradas na plataforma.

Ana Beatriz afirma que a combinação entre tecnologia e equipe médica amplia as possibilidades de tratamento.

"Eu acho maravilhoso, acho que a gente tem que juntar tecnologia com os médicos. A gente tem que sempre somar. Sou a favor de somar novas tecnologias e novas medicações que estão surgindo. Acho que isso é muito válido", declarou a paciente.

Capricórnio cruza dados e literatura médica

Diretor do Hospital do Câncer de Londrina, Bruno Bressani explica que a Capricórnio funciona como um "funil" que direciona o especialista às opções terapêuticas mais adequadas para cada quadro, inclusive em situações raras.

Segundo Bressani, a ferramenta reúne e organiza resultados de estudos e relatos de casos já publicados, permitindo que, em uma única busca, o médico tenha acesso ao equivalente a décadas de leitura de artigos científicos.

"É um funil que vai entregar o mais adequado, o mais direcionado para aquele caso raro daquele doente. Um médico que trata oncologia há 30 anos tem experiência, leu muitos artigos. Mas uma busca que ele faz ali no Capricórnio reúne tudo o que esses 30 anos de experiência fazem em apenas uma busca", explicou o diretor.

A Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial informa que a intenção é levar a tecnologia para outras unidades hospitalares do estado, com o objetivo de apoiar decisões clínicas baseadas em evidências atualizadas e reduzir o intervalo entre diagnóstico e início do tratamento.