
Especialistas avaliam proposta de bonde digital que será testado na Região Metropolitana de Curitiba
Foto: Band Paraná
O Paraná será o primeiro estado do Brasil a testar um novo modelo de transporte coletivo de alta tecnologia. Chamado de Bonde Digital Urbano (BUD), o veículo foi anunciado nesta quarta-feira (30) pelo governador Ratinho Júnior, nas redes sociais. O projeto está sendo desenvolvido de forma reservada pelo Governo do Estado, por meio da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep). O Portal Band Paraná consultou especialistas na área de mobilidade urbana e levantou informações sobre o anúncio do projeto.
Opinião técnica: mobilidade e inovação urbana
Para a doutora em Gestão Urbana e professora da Uninter, Rafaela Aparecida de Almeida, o novo sistema pode representar um marco na mobilidade urbana da capital paranaense e da região metropolitana. Ela observa que a maior parte das viagens em Curitiba ainda é feita com veículos individuais, incluindo aplicativos, superando em dobro o uso do transporte público.
“Esse novo sistema pode ser um incentivo para que as pessoas voltem a utilizar o transporte coletivo na capital”, afirmou.
Ela destaca ainda o avanço do ponto de vista ambiental e estrutural: “Estamos diante de uma forma alternativa de transporte de alta capacidade, elétrica e menos dependente dos ônibus, o que é estratégico, considerando que o sistema atual está saturado e existe demanda por integração metropolitana", completa.
Pontos de atenção: segurança, custo e integração

Foto gerada por IA em cima do modelo postado pelo Governador do PR, Ratinho JR.
O engenheiro especialista em trânsito, Celso Alves Mariano, avalia com entusiasmo o potencial do projeto, mas aponta que ainda há muitas perguntas sem resposta.
“Pensar em um trem sem trilhos pode parecer estranho, mas é uma proposta promissora. Une vantagens dos trens com a flexibilidade dos ônibus.”
Segundo ele, os desafios envolvem desde a compatibilidade com a infraestrutura existente até os custos da implantação. “Além do veículo, há necessidade de sensores na via, softwares, centros de controle e pessoal especializado. Isso pode elevar os custos em relação aos benefícios esperados.” Outro ponto citado por Mariano é a segurança e a fase de adaptação: “Por ser um veículo grande, biarticulado, que possivelmente circulará entre outros veículos, pode causar estranhamento e riscos durante a implementação.”
Apesar das ressalvas, ele afirma estar otimista:
“É um projeto curioso e inovador. Estou ansioso para conhecer o plano completo de execução.”
O que se sabe sobre o projeto
Fabricado na China, o Bonde Digital é 100% elétrico, tem três vagões com capacidade para até 400 passageiros, e pode atingir velocidades de até 70 km/h. A tecnologia, chamada de Digital Rail Transit (DRT), funciona por indução magnética, o que elimina a necessidade de trilhos físicos. O sistema é guiado por sensores instalados no asfalto, como se fosse um metrô de superfície — mas sem os custos estruturais tradicionais.
Durante os 15 meses de testes, o veículo deve operar no trajeto entre o Terminal de Pinhais e o Terminal de São Roque, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. A vida útil do veículo, segundo a fabricante chinesa CRRC Nanjing Puzhen, é de até 30 anos.
O presidente da Amep, da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná , Gilson Santos, afirmou que o veículo é um "trem urbano digital, elétrico e guiado magneticamente".
A Apresentação oficial com outros detalhes será feita pelo próprio governador nos próximos dias
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