Band Paraná

PCPR faz operação contra grupo de furtos em ônibus de Curitiba

Investigação iniciada em fevereiro apura atuação de associação criminosa que teria idosos como principais vítimas no transporte coletivo.

Marcel Mercúrio
MARCEL MERCÚRIO

30/06/2026 • 09:29 • Atualizado em 30/06/2026 • 09:31

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou na manhã desta terça-feira (30) uma operação para desarticular um grupo suspeito de praticar crimes patrimoniais dentro de veículos do transporte coletivo de Curitiba. A ação, que conta com apoio aéreo de helicóptero, busca cumprir 22 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão na capital, em cidades da Região Metropolitana e em Londrina.

Compartilhar

Os alvos dos mandados estão em endereços de Curitiba, Piraquara, Pinhais, Campo Largo, Colombo e Fazenda Rio Grande, além de ramificações identificadas no município de Londrina. A operação é resultado de uma investigação iniciada em fevereiro deste ano pela PCPR.

Entre os crimes apurados, estão associação criminosa, roubo, furto qualificado, estelionato e receptação. Segundo a polícia, o trabalho investigativo se baseou na integração de inteligência com a URBS (Urbanização de Curitiba S.A.), responsável pela gestão do sistema de transporte da cidade.

Esquema de furtos no transporte coletivo

A PCPR identificou que o grupo atuava com uma dinâmica considerada complexa de distração, organizada em núcleos de quatro a dez integrantes. De acordo com a investigação, os suspeitos provocavam tumultos propositais nos momentos de maior aglomeração, como nos fluxos de embarque e desembarque dos ônibus.

O delegado da PCPR Thiago Mendes explica que os criminosos criavam esbarrões artificiais e, em certas situações, derrubavam objetos de forma deliberada para desviar a atenção das vítimas. Enquanto isso, outros integrantes do grupo formavam um cerco físico ao redor do alvo.

"Os criminosos provocavam deliberadamente tumultos e esbarrões artificiais nos momentos de maior aglomeração, como nos fluxos de embarque e desembarque. Em determinadas ocasiões, promoviam a queda deliberada de objetos ao chão para desviar totalmente a atenção do alvo", explica o delegado da PCPR Thiago Mendes.

Conforme descreve a investigação, parte do grupo usava a superioridade numérica para anular a capacidade de percepção do alvo e de terceiros. Já o executor principal se valia de blusas ou moletons sobre o braço e mochilas posicionadas à frente do corpo para camuflar o movimento das mãos enquanto acessava bolsas e bolsos das vítimas.

Idosos na mira do grupo

Os investigadores apuraram que a escolha das vítimas era estratégica e seletiva, com predominância de pessoas idosas entre os alvos. Após a subtração dos pertences, os integrantes do grupo agiam de forma coordenada para espalhar rapidamente os bens furtados entre si.

Segundo a PCPR, essa dispersão tinha o objetivo de dificultar a configuração de flagrante em caso de abordagem policial isolada. No caso de aparelhos celulares, os suspeitos removiam o chip logo após o crime para interromper a comunicação do dispositivo e reduzir as chances de rastreamento.

Fraudes com cartões bancários e biometria

A investigação mostra que, de posse dos cartões bancários das vítimas, o grupo efetuava diversas compras na função por aproximação, respeitando o limite de valor para evitar a exigência de senha.

"Além disso, de posse dos cartões bancários das vítimas, efetuavam múltiplos lançamentos e compras na modalidade por aproximação, limitando os valores a até R$ 199 para burlar a exigência de senha antes que os titulares pudessem efetuar o bloqueio de seus ativos", complementa Mendes.

Em alguns episódios, integrantes do grupo utilizavam máquinas de cartão portáteis, retiradas de mochilas, para processar transações fraudulentas imediatamente após os furtos. A PCPR também identificou que os suspeitos empregavam cartões-transporte de isenção, subtraídos de usuários idosos, para circular pela rede de ônibus sem pagar tarifa.

Como o sistema de transporte coletivo utiliza biometria facial para auditar o uso de benefícios tarifários, capturando fotos em tempo real, os investigados passaram a adotar estratégias para fraudar essa fiscalização. No momento da validação dos cartões nas catracas, eles obstruíam a lente das câmeras com as mãos ou dedos e usavam bonés, capuzes e óculos escuros para ocultar o rosto.

De acordo com a PCPR, a operação desta terça-feira busca interromper a atuação da associação criminosa e ampliar a segurança no transporte coletivo da capital e da Região Metropolitana, em conjunto com a URBS.