
PF conclui investigação sobre fraudes em 50 postos de combustíveis
Foto: Arquivo PF
A Polícia Federal concluiu a investigação sobre a prática sistemática de fraudes e adulteração de combustíveis em 50 postos de Curitiba e da Região Metropolitana.
O inquérito é um desdobramento da Operação Tank e teve como foco a comprovação das fraudes e a identificação dos responsáveis diretos por uma rede de postos controlada por uma organização criminosa.
Ao final dos trabalhos, oito pessoas foram indiciadas, apontadas como integrantes do núcleo de comando e gestão do esquema.
Esquema usava bomba baixa e adulteração de gasolina
As perícias confirmaram duas principais modalidades de fraude.
Na chamada fraude metrológica, conhecida como bomba baixa, os investigadores identificaram o uso de um dispositivo eletrônico, chamado Sistema Flex, que permitia a manipulação remota do volume de combustível entregue ao consumidor por meio de aplicativo de celular.
Os exames mostraram que as bombas forneciam volumes menores do que o registrado no visor, com diferenças que chegaram a 8,3 por cento, índice muito acima do permitido por lei.
Na segunda frente, as análises laboratoriais constataram adulteração da gasolina com índices extremos de etanol.
Em alguns casos, o combustível vendido tinha 79 por cento de etanol, quando o limite legal é de 27 por cento, com variação de um ponto percentual.
Segundo a Polícia Federal, a prática causava prejuízos diretos aos consumidores e danos aos veículos.
Oito pessoas são indiciadas
Os oito investigados foram indiciados por crimes contra a ordem econômica e por estelionato.
De acordo com a Polícia Federal, há indicativos de prática reiterada dos crimes, com pelo menos 21 ocorrências relacionadas à revenda irregular de combustíveis e 23 casos de estelionato contra consumidores.
Somadas, as penas previstas podem chegar a até 40 anos de reclusão para cada integrante do grupo.
Fraude financiava lavagem de dinheiro
A investigação também apontou que as fraudes nos postos eram usadas para alimentar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado.
Os lucros obtidos com as irregularidades eram reinjetados em uma estrutura financeira que movimentou bilhões de reais, por meio de empresas de fachada e uso de laranjas para ocultar a origem ilícita dos recursos.
A Polícia Federal informou que o caso foi encaminhado ao Ministério Público para as providências judiciais cabíveis.
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