Band Paraná

PM prende líder sindical durante greve na Brose em São José dos Pinhais

Sindicato diz que manifestação era pacífica e denuncia truculência policial e práticas antissindicais da empresa na Região Metropolitana de Curitiba

Da redação
DA REDAÇÃO

04/02/2026 • 14:25 • Atualizado em 04/02/2026 • 14:25

Manifestação em São José dos Pinhais

Manifestação em São José dos Pinhais

Foto: Divulgação

O líder sindical conhecido como Nelsão da Força foi preso na manhã desta quarta-feira (4) durante uma mobilização de trabalhadores da empresa Brose do Brasil, em frente à fábrica em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

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A detenção ocorreu em meio à greve dos funcionários da unidade, iniciada depois que, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, a empresa se recusou a negociar reivindicações salariais e de benefícios.

Funcionários da Brose realizaram um ato na porta da fábrica para reivindicar melhores condições de trabalho e reajuste de salários. Durante o protesto, houve intervenção de equipes da Polícia Militar, que acompanharam a mobilização na região.

Greve e intervenção policial

Um dos momentos registrados por participantes mostra um policial imobilizando um manifestante idoso no chão. As imagens circularam nas redes sociais ao longo da manhã e repercutiram entre trabalhadores e entidades sindicais.

Nota da PM

A Polícia Militar do Paraná (PMPR) informa que foi acionada na manhã desta quarta-feira (04 fev. 26) no município de São José dos Pinhais, para atendimento de ocorrência em frente à empresa Brose do Brasil, onde ocorria uma manifestação sindical.

No local, integrantes do Sindicato dos Metalúrgicos do Paraná (SMC) concentraram-se na entrada da empresa, o que resultou na restrição de acesso de aproximadamente 30 (trinta) trabalhadores às dependências da unidade, impedindo o livre exercício do trabalho.

Diante da situação, a Polícia Militar garantiu aos trabalhadores o direito constitucional ao trabalho, com a oferta de escolta policial, caso fosse necessário para o ingresso na empresa. Da mesma forma, foi assegurado a todos os presentes o direito de greve, bem como a permanência no local, desde que de forma pacífica. Entretanto, o manifestante, Nelson Silva de Souza, passou a desacatar a equipe policial, afirmando que não permitiria a entrada de nenhum trabalhador, alegando que todos deveriam, obrigatoriamente, participar da assembleia. O indivíduo não acatou a ordem policial para liberação da entrada, motivo pelo qual recebeu voz de prisão pelos crimes de Desacato, Atentado contra a Liberdade de Trabalho (art. 197 do Código Penal) e Resistência à Prisão.

Em razão da resistência apresentada, foi necessário o uso diferenciado e seletivo da força para o encaminhamento do manifestante à Delegacia de Polícia, com a finalidade de preservar a ordem pública e assegurar o cumprimento da lei, observados os princípios da legalidade, necessidade e proporcionalidade. Curitiba, 04 de fevereiro de 2026. Centro de Comunicação Social da PMPR.

Sindicato fala em práticas antissindicais

O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba afirma que os trabalhadores realizavam uma manifestação pacífica, de caráter legítimo e democrático, quando policiais avançaram contra o grupo em frente ao portão da fábrica. A entidade classifica a atuação dos agentes como truculenta e acusa a corporação de usar força desproporcional para dispersar o ato.

Na avaliação da entidade, o episódio desta quarta-feira reforça práticas antissindicais atribuídas à Brose. O sindicato relata que trabalhadores sofrem pressão e assédio desde o início das mobilizações e que há dificuldade para realizar assembleias devido à presença constante da polícia.

Para o presidente do sindicato, Sérgio Butka, tratar reivindicações trabalhistas como caso de polícia é incompatível com o Estado Democrático de Direito. Ele sustenta que o uso de forças repressivas para intimidar trabalhadores e restringir organização sindical, manifestação e negociação coletiva representa violação de direitos garantidos pela Constituição e por convenções da Organização Internacional do Trabalho.

Butka também avalia que a postura da Brose demonstra falta de disposição para o diálogo. Segundo ele, em vez de negociar com os representantes da categoria, a empresa opta por medidas que, na visão do sindicato, enfraquecem a mobilização, criminalizam a luta coletiva e mantêm condições consideradas indignas de trabalho e remuneração.

O dirigente sindical reforça que, na avaliação da entidade, não há crime em lutar por direitos e que recorrer à polícia para intimidar trabalhadores contraria a própria missão da Polícia Militar, definida por ele como a de servir e proteger o cidadão.

Na nota divulgada após a prisão de Nelsão da Força, o sindicato afirma que a mobilização dos trabalhadores da Brose por melhores salários e condições de trabalho continuará e que não aceitará intimidação, repressão ou criminalização da pauta. A entidade diz ainda que cobra providências das autoridades para garantir o direito de manifestação e de greve previsto na Constituição e sustenta que direitos da classe trabalhadora devem ser respeitados, e não reprimidos.

Posicionamento das autoridades

Até a publicação desta reportagem, não havia informações oficiais sobre as circunstâncias da prisão do dirigente sindical.

A Polícia Militar foi procurada pela reportagem da Band Paraná, mas ainda não se manifestou sobre a ocorrência. O espaço segue aberto para posicionamento da corporação e da empresa citada.