Band Paraná

Polícia investiga fraude em prova que dá acesso a universidades do PR

Sete estudantes são suspeitos de uso indevido da Prova Paraná Mais 2025; cinco teriam entrado em Medicina em instituições estaduais

Da redação
DA REDAÇÃO

25/03/2026 • 08:21 • Atualizado em 25/03/2026 • 08:21

PCPR cumpre mandados contra grupo investigado por fraude na Prova Paraná Mais 2025

PCPR cumpre mandados contra grupo investigado por fraude na Prova Paraná Mais 2025

Foto: PCPR

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) cumpriu na tarde desta segunda-feira (23) sete mandados de busca e apreensão em quatro cidades do Estado para investigar um esquema de fraude em avaliação estudantil usada como critério de acesso a universidades públicas paranaenses.

Compartilhar

Entre no nosso canal de WhatsApp e fique por dentro de tudo

A operação teve como objetivo desarticular um grupo suspeito de fraudar certames de interesse público. As ordens judiciais foram cumpridas nos municípios de Tapejara, Londrina, Maringá e Ponta Grossa.

Prova estadual é usada para ingresso no ensino superior

A investigação começou depois que a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed) identificou uma possível fraude na avaliação Prova Paraná Mais 2025, aplicada na rede estadual. O desempenho nessa prova serve como critério classificatório para ingresso em instituições públicas de ensino superior do Estado, por meio do programa Aprova Paraná Universidades.

Conforme a apuração, sete estudantes teriam obtido aprovação de forma irregular em cursos de alta concorrência. Entre os investigados, cinco ingressaram no curso de Medicina em universidades estaduais, entre elas a Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

“O esquema envolveu estudantes de uma escola estadual de Tapejara. A fiscal responsável pela aplicação da prova na sala também é alvo das investigações e das medidas de busca, sob suspeita de facilitar ou se omitir durante a realização do exame”, explica a delegada Taís Melo.

Escola de Tapejara está no centro do caso

O esquema envolveu alunos de uma escola estadual de Tapejara.

A fiscal responsável pela aplicação do exame na sala também é alvo de investigação e dos mandados de busca e apreensão. Ela é suspeita de facilitar a fraude ou de se omitir diante de possíveis irregularidades durante a realização da prova.

Caso segue sob apuração das autoridades

A Seed informou que a coordenação de avaliação do Departamento de Acompanhamento Pedagógico analisou os resultados da Prova Paraná Mais e identificou situações fora do padrão. Em uma mesma turma, alunos apresentaram pontuações próximas entre si, com mais de 95% de acertos nas questões objetivas e desempenho inferior na redação. Ao comparar esses resultados com o histórico escolar dos estudantes, foi verificada incompatibilidade com as notas e o rendimento apresentados ao longo dos anos.

Diante dos indícios, o secretário de Estado da Educaçã, Roni Miranda, o entrou em contato com o delegado-geral da PCPR, Silvio Jacob Rockembach, para solicitar a abertura de investigação e a adoção de providências. Durante as investigações conduzidas pelo delegado Thiago Vicentini de Oliveira, a PCPR constatou que dois candidatos utilizaram telefones celulares de forma oculta nos dois dias de prova. “Eles pesquisaram respostas e as repassaram aos demais envolvidos por meio de anotações”, informou o delegado.

Segundo o diretor de Educação da Seed, Anderfabio Oliveira, o programa Aprova Paraná Universidades é conduzido com base em critérios técnicos e conta com mecanismos de verificação que asseguram a confiabilidade dos resultados e a integridade do processo. “A Secretaria de Educação informa que situações que contrariem as regras serão tratadas com a adoção de medidas administrativas e legais cabíveis”, explicou.

A Seed ainda declarou que não haverá flexibilização diante de condutas que comprometam a igualdade de condições entre os estudantes e que seguirá acompanhando o caso e colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação. A Secretaria de Educação reafirma seu compromisso com a lisura, a transparência e a credibilidade do Aprova Paraná Universidades.

Nota da UEL

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) acompanha a operação da Polícia Civil do Paraná (PCPR) que investiga fraudes na Prova Paraná Mais 2025 e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, reafirmando seu compromisso com a lisura no ingresso ao ensino superior público.

A Universidade explica que o processo de seleção é conduzido pela Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), responsável pela aplicação, avaliação e classificação dos candidatos, com posterior encaminhamento das listas de aprovados às universidades.

Após a investigação da PCPR, caso sejam confirmadas irregularidades envolvendo estudantes matriculados na UEL, serão adotadas as medidas judiciais cabíveis, incluindo a anulação das matrículas, conforme a legislação vigente.

Universidade Estadual de Londrina