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Polilaminina: o que é e quem desenvolveu a terapia

Entenda o que é a polilaminina, quem desenvolveu a substância e por que ela ainda é considerada uma terapia experimental para lesões medulares.

Da redação
DA REDAÇÃO

17/06/2026 • 09:29 • Atualizado em 17/06/2026 • 09:29

Substância pesquisada pela UFRJ é estudada para aplicação em pacientes com lesões agudas na medula

Substância pesquisada pela UFRJ é estudada para aplicação em pacientes com lesões agudas na medula

Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

A aplicação da polilaminina em Ana Beatriz Cruz, internada no Hospital do Trabalhador, em Curitiba, despertou dúvidas sobre o que é a substância e como surgiu a pesquisa brasileira voltada ao tratamento de lesões na medula espinhal.

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A polilaminina é uma terapia experimental desenvolvida a partir da laminina, uma proteína encontrada naturalmente no organismo e também presente em grande quantidade na placenta.

A substância ainda está em fase de pesquisa e não é considerada um tratamento com eficácia comprovada. Os estudos buscam avaliar a segurança da aplicação e entender os possíveis efeitos em pacientes com lesões medulares agudas.

O que é a polilaminina?

A polilaminina é produzida em laboratório a partir da laminina. Durante o processo, as moléculas da proteína são organizadas em uma estrutura maior, chamada de laminina polimerizada.

Os pesquisadores estudam se essa estrutura pode contribuir para a recuperação do tecido atingido por uma lesão na medula espinhal.

A medula é responsável por transmitir os sinais entre o cérebro e diferentes partes do corpo. Quando sofre uma lesão grave, essa comunicação pode ser comprometida e provocar perda de movimentos ou de sensibilidade.

A aplicação da polilaminina é realizada diretamente na região da medula atingida, durante um procedimento conduzido por uma equipe médica especializada.

Quem desenvolveu a polilaminina?

A polilaminina é resultado de pesquisas realizadas na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ.

O trabalho é liderado pela bióloga e professora Tatiana Coelho de Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da universidade. Ela é chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular e pesquisa há mais de 25 anos o comportamento da laminina no sistema nervoso.

A pesquisa contou com a participação de estudantes e pesquisadores de diferentes áreas. Atualmente, o desenvolvimento da terapia também envolve o laboratório farmacêutico Cristália, responsável pelo produto utilizado no estudo clínico autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Polilaminina ainda está em estudo

A Anvisa autorizou, em janeiro de 2026, um estudo clínico de fase 1 com a polilaminina.

Essa etapa tem como objetivo principal avaliar a segurança da aplicação em pacientes com lesões agudas e completas na região torácica da medula espinhal.

Segundo a agência, o estudo inicial não permite concluir se a terapia é eficaz. Para isso, serão necessárias outras etapas, com um número maior de participantes e acompanhamento dos resultados.

Durante a pesquisa, as equipes monitoram possíveis reações, complicações e eventos adversos relacionados à substância ou ao procedimento de aplicação.

Uso da terapia depende de autorização

Como a polilaminina ainda é experimental, ela não está disponível para uso comum nos hospitais ou para comercialização.

A aplicação depende de critérios médicos, análise do quadro do paciente e autorização dos órgãos responsáveis. O acompanhamento continua após o procedimento para verificar a evolução clínica e possíveis reações.

No caso de Ana Beatriz, a equipe do Hospital do Trabalhador identificou a lesão na medula e encaminhou a documentação necessária para avaliação.

Quantos pacientes receberam a polilaminina?

Segundo informações divulgadas pelo Governo do Paraná, 87 pacientes já receberam a polilaminina no Brasil.

No Paraná, são 17 pacientes atendidos em Cascavel, Curitiba, Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu.

Além de Ana Beatriz, outro paciente internado no Hospital do Trabalhador também recebeu a aplicação. Os dois aguardavam pelo procedimento na unidade estadual de saúde.

Os resultados de cada paciente podem ser diferentes. Por isso, a evolução individual não é suficiente para confirmar a eficácia da terapia, que continua sendo analisada pelos pesquisadores.

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