Band Paraná

Primeiro caso de sarampo no ano acende alerta em SP

Brasil já havia controlado a circulação do vírus; queda na adesão às vacinas preocupa especialistas

Bárbara Hammes
BÁRBARA HAMMES

23/03/2026 • 13:47 • Atualizado em 23/03/2026 • 13:47

A confirmação recente do primeiro caso de sarampo deste ano em São Paulo acendeu um alerta entre as autoridades sanitárias brasileiras sobre o risco de retorno de doenças que já estavam sob controle.

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Alerta após doença voltar a circular

Casos confirmados de sarampo acionam a vigilância epidemiológica, que passa a monitorar contatos próximos e a circulação do vírus. O objetivo é interromper rapidamente possíveis cadeias de transmissão e evitar surtos em escolas, locais de trabalho e ambientes com grande circulação de pessoas.

O Brasil já teve o sarampo considerado eliminado, após anos de vacinação em massa, mas voltou a registrar pacientes infectados em diferentes estados. Para especialistas, o episódio em São Paulo mostra que, enquanto houver pessoas sem a proteção oferecida pela vacina, existe risco de reintrodução da doença.

Altamente contagioso, o sarampo é uma infecção viral transmitida pelo ar, por meio de gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar. Os sintomas incluem febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, tosse e mal-estar, e a doença pode causar complicações como pneumonia, encefalite e até morte, principalmente em crianças pequenas e pessoas imunossuprimidas.

Descrédito na vacina preocupa especialistas

Para especialistas em saúde pública, o avanço do descrédito em relação às vacinas explica o reaparecimento de casos no Brasil e em outros países. Na avaliação desses profissionais, campanhas de desinformação e boatos sobre supostos riscos afastam parte da população dos postos de saúde.

Segundo eles, "o descrédito na vacinação tem aumentado os índices no país e no mundo", o que abre espaço para a volta de enfermidades que estavam controladas. Organismos internacionais já alertaram para o crescimento de surtos de sarampo em diversos continentes, sempre associado à queda na cobertura vacinal.

No Brasil, dados recentes mostram que a aplicação da vacina contra o sarampo está abaixo da meta recomendada em várias regiões. Especialistas reforçam que é preciso recuperar a confiança da população e ampliar a busca ativa por crianças e adultos com o esquema incompleto.

Vacinação é a principal forma de proteção

A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, faz parte do calendário de imunização infantil e está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). A recomendação de autoridades sanitárias é que crianças, adolescentes e adultos verifiquem a caderneta e recebam as doses previstas, caso ainda não estejam imunizados.

Especialistas lembram que a imunização em massa não protege apenas quem recebe a dose, mas cria uma barreira coletiva que reduz a circulação do vírus. Eles ressaltam que manter altas coberturas vacinais é a estratégia mais eficaz para evitar novos casos e preservar o status de controle do sarampo no país.