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Feminicídios no Brasil somam ao menos 1.470 mortes em 2025

Quatro mulheres foram assassinadas por dia no Brasil, aponta Ministério da Justiça

João Marcelo
JOÃO MARCELO

21/01/2026 • 19:26 • Atualizado em 21/01/2026 • 19:26

Quatro mulheres foram assassinadas por dia no Brasil em 2025 em crimes classificados como feminicídio. Ao menos 1.470 mortes deste tipo foram registradas no ano, segundo dados do Ministério da Justiça.

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Os números ainda podem ser maiores, já que alguns estados não enviaram ao governo federal os dados referentes ao mês de dezembro.

As vítimas entram para uma estatística que segue em crescimento no país. Em dez anos, desde o início do levantamento em 2015, 13.448 mulheres foram mortas em razão do gênero, um aumento superior a 300% no período.

Estados com mais registros

São Paulo lidera o número de ocorrências, com 233 feminicídios em 2025. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 139 casos, e o Rio de Janeiro, com 104.

A maioria das mortes ocorreu dentro de casa e teve como autores companheiros ou ex-companheiros das vítimas.

Nova lei endurece punições

Em outubro, o presidente Lula sancionou uma lei que aumenta a pena para condenados por assassinato de mulheres quando a motivação é violência doméstica ou discriminação de gênero.

A mudança busca ampliar o efeito dissuasório das punições e reforçar o combate a esse tipo de crime.

Para a palestrante Danda Coelho, o endurecimento das penas pode ter impacto direto na prevenção.

“Quanto mais nós tivermos punições e exemplos que precisam ser escancarados na mídia, mais a gente vai ter no mínimo medo. Alguns são brecados pelo medo de ser punido”, afirmou.

Paraná entre os estados com mais casos

O Paraná registrou 87 feminicídios em 2025. Apesar da queda em relação a 2024, o estado permanece entre os cinco com maior número de crimes desta natureza no país.

Especialistas alertam que a redução pontual não representa uma tendência consolidada.

Educação e prevenção

Para Danda Coelho, o enfrentamento ao feminicídio passa pela educação desde a infância e pela conscientização contínua.

“Vamos educar as crianças na base. Enquanto isso, vamos tentar educar também os que já cresceram. Mulheres cuidando de mulheres e não permitir que esses absurdos continuem acontecendo”, disse.

Entidades de defesa dos direitos das mulheres reforçam que denunciar sinais de violência e buscar ajuda especializada são passos fundamentais para evitar que casos de agressão evoluam para feminicídio.